Um estudo feito pela Universidade do Sul da Flórida, EUA, e Universidade de Tilburg, na Holanda, com mais de 30 países avaliou os benefícios do choro. O resultado foi que a maioria dos entrevistados se sentiam melhor depois de chorar, enquanto 70% dos médicos encorajavam os clientes a chorar.

O corpo produz três tipos de lágrimas: reflexo, que “remove” aborrecimentos; contínuo, que mantém os olhos úmidos e emocional, que foi descoberto pelo estudo que traz benefícios para a saúde.

Uma pesquisa feita na década de 80, pelo Dr. William Frey no Ramsey Medical Center sobre por que humanos choram, revelou que as lágrimas emocionais ou “lacrimejamento psicogênico”, como Frey chamou, possuem hormônios do estresse que são eliminados durante o choro.

Em entrevista ao New York Times, ele disse que “chorar é um processo exócrino no qual uma substância sai do corpo. Outros processos exócrinos, como exalar, urinar, defecar e suar, liberam substâncias tóxicas do corpo. Há todos os motivos para pensar que chorar faz o mesmo, liberando substâncias químicas que o corpo produz em resposta ao estresse”.

Outras evidências indicam também que o choro diminui a respiração, ajudando a relaxar e estimulando a produção de endorfinas que faz as pessoas se sentirem bem.

O estímulo ao choro no Japão

Com base em estudos como esse, o Japão tem encorajado ativamente seus alunos e trabalhadores a chorar, para colher os benefícios para a saúde mental que vêm com as lágrimas.

Hidefumi Yoshida é ex-professor de ensino médio e se auto-intitula “namida sensei”, professor de lágrimas em tradução livre. Ele trabalha há quase seis anos fazendo palestras sobre a importância de chorar em empresas e escolas. Ao Japan Times, ele afirmou que “o ato de chorar é mais eficaz do que rir ou dormir na redução do estresse. Se você chorar uma vez por semana, pode viver uma vida livre de estresse”, explicou.

No Japão, até pouco tempo a saúde mental não era tratada como uma questão prioritária, mas em 2015 o governo tornou obrigatória a verificação de estresse no ambiente de trabalho para empresas com mais de 50 funcionários. Isso constitui uma mudança da cultura de consideração de problemas mentais no país, que ocupa o 3º lugar no índice de suicídio em países desenvolvidos. Foit até inventada uma palavra – karoshi – para se referir a mortes causadas pelo excesso de trabalho.

Assim como diversos outros países, o Japão ficou muito tempo sem lidar diretamente com depressão e outros problemas mentais, e as consequências da falta de atenção a esses problemas persistem até hoje. Em um estudo de oito países da London School of Economics de 2016, os funcionários no Japão eram os menos propensos a dizer aos empregadores sobre depressão, seguidos pelos norte-americanos.

O trabalho feito pelo professor de lágrimas Yoshida, em parceria com Hideho Arita, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Toho, foca na conscientização de como o choro pode reduzir o estresse, inclusive o gerado no ambiente de trabalho e escolar.

Junko Umihara, professor da Nippon Medical School, disse ao Japan Times: “Chorar é um ato de autodefesa contra o estresse acumulado”.

O estudioso Dr. Frey disse que segurar o choro por interpretá-lo como sinal de fraqueza pode aumentar a chance de transtornos mentais. “Em nossa sociedade, os homens em particular são desencorajados de chorar. Se o choro reduz o efeito do estresse, suprimindo as lágrimas, podemos estar aumentando nossa suscetibilidade a transtornos relacionados ao estresse”, esclarece.