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Respiração profunda pode induzir sensação psicodélica no cérebro

Pesquisadores identificam que exercícios de respiração alteram o fluxo sanguíneo cerebral de forma semelhante ao uso de psicodélicos

Foto: Anastasia Shuraeva | Pexels

Um estudo recente revelou que exercícios de respiração profunda podem gerar padrões de fluxo sanguíneo no cérebro semelhantes aos observados em pacientes que utilizam substâncias psicodélicas, como a psilocibina. Esse estado alterado de consciência corresponde à descrição feita por Freud, caracterizado por sentimentos de bem-aventurança, experiências de despersonalização vividas positivamente e a sensação de unidade.

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Nos últimos anos, exercícios respiratórios como respiração de alta ventilação ou respiração holotrópica têm ganhado popularidade como formas de neuromodulação capazes de atenuar medos intensos, estresse, ansiedade e sentimentos de desamparo. Ainda assim, não se sabe exatamente por que esses exercícios exercem um impacto tão profundo sobre o cérebro.

Foto: Matosuky | Pexels

Buscando respostas, a pesquisadora Amy Amla Kartar, da Brighton and Sussex Medical School, no Reino Unido, projetou um teste para estudar o fluxo sanguíneo cerebral durante sessões de respiração de 20 a 30 minutos acompanhadas de música. “Realizar esta pesquisa foi uma experiência fantástica”, declarou Kartar à revista PLOS, onde o artigo sobre o experimento foi publicado. Ela acrescentou: “Foi emocionante explorar uma área tão inovadora — embora muitas pessoas reconheçam os benefícios do trabalho respiratório para a saúde, esse estilo de respiração acelerada recebeu muito pouca atenção científica. Somos muito gratos aos nossos participantes por tornarem este trabalho possível.”

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A pesquisa contou com a colaboração do Dr. Alessandro Colossanti, diretor do Laboratório Colossanti de Neurociência Clínica, onde o experimento ocorreu. A equipe analisou dados autorrelatados de 15 indivíduos que participaram online, 8 em laboratório e outros 19 que realizaram exames de ressonância magnética. Durante as sessões, os voluntários ouviram música relaxante no início e, em seguida, faixas progressivamente mais evocativas, enquanto executavam os exercícios de respiração.

Os resultados mostraram que a intensidade das experiências psicodélicas e prazerosas proporcionadas pela respiração estava ligada à ativação simpática cardiovascular, o que foi indicado por uma diminuição na variabilidade da frequência cardíaca. Além disso, os estados de consciência foram associados a uma redução “profunda” do fluxo sanguíneo no opérculo esquerdo e na ínsula posterior — áreas cerebrais relacionadas à percepção do estado interno do corpo, incluindo a respiração. Paralelamente, observou-se uma queda significativa no fluxo sanguíneo global do cérebro, acompanhada de um aumento progressivo no fornecimento de sangue à amígdala direita e ao hipocampo anterior, regiões que desempenham papeis centrais no processamento de memórias emocionais.

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Essas alterações no fluxo cerebral se alinham às que ocorrem em pacientes submetidos a experiências psicodélicas, sugerindo que elas podem estar por trás dos efeitos positivos das práticas de respiração. Ao longo de todas as sessões, os participantes relataram diminuição do medo e das emoções negativas, sem registro de efeitos adversos. Em linhas gerais, os relatos coincidiam com a “Imensidão Oceânica” descrita por Freud, vinculada à sensação de unidade, espiritualidade, desapego e bem-aventurança.

Foto: Ketut Subiyanto | Pexels

Embora a música tenha desempenhado um papel importante nos experimentos, não se sabe se, por si só, ela seria capaz de induzir estados tão profundos. Por isso, os autores recomendam que novos estudos sejam conduzidos com grupos maiores e com maior foco no conteúdo musical.

“O trabalho respiratório é uma ferramenta poderosa, porém natural, para neuromodulação, atuando por meio da regulação do metabolismo no corpo e no cérebro”, afirmou o Dr. Colossanti. “É uma grande promessa como intervenção terapêutica transformadora para condições que muitas vezes são angustiantes e incapacitantes.”

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