jovens e floresta
Foto: Mick Haupt | Unsplash
- Publicidade -

A adolescência é uma fase da vida de muitas incertezas e desafios. O relatório da Unicef “Situação Mundial da Infância 2021”, publicado em outubro, mostra que, em média, um em cada cinco (19%) adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, muitas vezes, sente-se deprimido ou tem pouco interesse em fazer as coisas. Limitando a pesquisa entre brasileiros, a porcentagem sobe para 22%. As razões são diversas e os responsáveis devem ficar atentos para buscarem ajuda profissional quando necessário. Enquanto isso, um novo estudo, realizado na Inglaterra, sugere que aproximar os jovens das áreas verdes naturais é um grande investimento para a saúde mental. Pesquisadores ressaltam os benefícios da natureza para a mente de crianças e adolescentes.  

Não que seja exatamente uma novidade, mas a pesquisa “Benefit of woodland and other natural environments for adolescents’ cognition and mental health” foi intitulada a maior do gênero. Ao total, foram 3.568 participantes. Realizada por pesquisadores da UCL (University College London) e Imperial College London, a pesquisa analisou crianças e jovens com idades entre nove e 15 anos, de 31 escolas em Londres. “Este período é um momento chave para o desenvolvimento do pensamento, raciocínio e compreensão do mundo pelos adolescentes”, afirma a UCL.

O estudo avaliou as ligações entre diferentes tipos de ambientes urbanos naturais e o desenvolvimento cognitivo, saúde mental e bem-estar geral. Para tanto, os “ambientes” foram divididos no que os planejadores chamam de espaço verde (bosques, prados e parques) e espaço azul (rios, lagos e mar). Os pesquisadores usaram dados de satélite para ajudar a calcular a taxa de exposição diária de cada adolescente a cada um desses ambientes dentro de 50m, 100m, 250m e 500m de sua casa e escola.

- Publicidade -

Os resultados mostraram que a maior exposição diária à floresta (mas não a pastagens) foi associada a pontuações mais altas para o desenvolvimento cognitivo e a um risco 16% menor de problemas emocionais e comportamentais dois anos depois.

Foto: Josh Post | Unsplash

Efeito semelhante, porém menor, foi observado no chamado espaço verde, com pontuações mais altas para o desenvolvimento cognitivo, mas não foi observado no chamado espaço azul. De todo modo, os cientistas ressaltam que, na média geral, o acesso a espaços azuis  foi baixo entre os participantes. 

Para o autor principal, o estudante de doutorado Mikaël Maes, as descobertas sugerem que nem todo tipo de ambiente pode contribuir igualmente para esses benefícios [desenvolvimento cognitivo e a saúde mental] à saúde. “O banho na floresta, por exemplo (estar imerso nas imagens, sons e cheiros de uma floresta), é uma terapia de relaxamento que tem sido associada a benefícios fisiológicos, apoiando a função imunológica humana, reduzindo a variabilidade da frequência cardíaca e do cortisol salivar, além de vários aspectos psicológicos benefícios. No entanto, as razões pelas quais experimentamos esses benefícios psicológicos da floresta permanecem desconhecidas”.

Foto: Johnny McClung | Unsplash

Já a autora sênior conjunta, professora Mireille Toledano, afirma que “é fundamental para nós descobrir por que os ambientes naturais são tão importantes para a nossa saúde mental ao longo da vida”. Ela levanta algumas hipóteses: “o benefício deriva do exercício físico que fazemos nesses ambientes, das interações sociais que muitas vezes temos neles, da fauna e a flora que podemos desfrutar nesses ambientes ou uma combinação de tudo isso?”.

Os pesquisadores envolvidos no estudo afirmam que pesquisas adicionais são fundamentais para explicar as ligações entre natureza e saúde. O estudo, em inglês, foi publicado na Nature Sustainability.

- Publicidade -