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Dezembro Laranja: como prevenir e identificar o câncer de pele?

Especialistas listam cuidados para prevenir a doença e alertam para os sinais que merecem atenção

câncer de pele
Foto: iStock

O verão chegou e com ele o tão esperado momento de curtir os dias ensolarados no Brasil. Esta época do ano é realmente uma delícia, mas também traz alguns alertas: o sol não só pode causar envelhecimento e queimaduras na pele, mas é também um dos fatores de risco para o câncer de pele.

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A incidência dos raios solares tem uma relação muito estreita com o câncer de pele não melanoma. “As pessoas que se expõem ao sol por longos períodos, especialmente aquelas de pele, cabelos e olhos claros, constituem o grupo de maior risco de ter este tipo de tumor”, avalia o dermatologista Dário Rosa.

As últimas estimativas publicadas pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que, entre 2020 e 2022, o Brasil terá cerca de 177 mil novos casos de câncer de pele, sendo 83.770 em homens e pouco mais de 93 mil em mulheres.

Entre os principais fatores de risco estão a exposição prolongada e repetida ao sol, principalmente, na infância e adolescência, histórico familiar, pessoas com pele e olhos claros e cabelos ruivos e loiros.

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Foto: Pixabay

Tipos de câncer de pele

“Há diversos tipos de câncer de pele e os três mais comuns no Brasil são: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma, sendo esse último o mais grave, com risco de desenvolver metástase e podendo levar o paciente a óbito. Cabeça, pescoço, ombros, braços e dorso da mão estão entre as áreas mais comuns a serem afetadas pelo câncer de pele, já que estão mais expostas à radiação solar”, explica Dr. Fernando Amato, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

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No Brasil, três tipos de câncer de pele são mais comuns:

  • Carcinoma basocelular: o mais comum, cerca de 80% dos casos, pode ser mais agressivo localmente, porém – normalmente – apresenta uma evolução mais lenta. Pode-se apresentar como uma pinta, mancha, nódulo ou ferida na pele.
  • Carcinoma espinocelular: com origem na camada mais superficial da pele também pode aparecer em mucosas e até em áreas de cicatrização prolongada, como uma ferida que nunca fecha. Mais comum surgir nas áreas do corpo que ficam mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, lábios, pescoço e dorso da mão. Às vezes, pode até ser necessário radioterapia no complemento do tratamento.
  • Melanoma: É o menos frequente, representa 3% dos cânceres de pele no Brasil, entretanto, é o mais agressivo, com risco de metástase. O prognóstico pode ser bom se descoberto na fase inicial. Devido aos novos medicamentos e a detecção precoce da doença, houve uma melhora na sobrevida desses pacientes nos últimos anos.

Como prevenir o câncer de pele?

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A exposição ao sol na infância merece muito cuidado. Foto: Pixabay

Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de câncer de pele. Além de evitar o sol entre 10h e 16h, é muito importante usar corretamente o filtro solar e combinar este hábito com proteções físicas como roupas e chapéus. Veja algumas dicas:

  • Evitar ao máximo queimaduras solares durante a infância. Um dos fatores de risco para o desenvolvimento de melanoma é a ocorrência de queimaduras solares importantes, principalmente, com formações de bolhas, portanto, é essencial a proteção solar adequada das crianças quando expostas ao sol. A infância é uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do sol. “A exposição cumulativa aos raios solares durante os primeiros 10 ou 20 anos de vida potencializa os riscos de câncer de pele na fase adulta e mesmo na velhice”, explica o dermatologista Dário Rosa.
  • Usar filtro solar diariamente, mesmo que em dias nublados, e reaplicá-lo a cada duas ou três horas ou antes se houver suor excessivo e atividades em água.
  • Aplicar filtro solar mesmo embaixo do guarda-sol, já que só ele não é suficiente para proteger a pele dos danos solares.
  • Não esquecer de aplicar o filtro solar em áreas mais escondidas ou periféricas, como axilas, pescoço, orelhas, região inguinal, cotovelos e pés.
  • Pessoas que têm dois ou mais casos de melanoma na família, em parentes de primeiro ou segundo graus devem fazer acompanhamento de rotina com o dermatologista.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso no tratamento. Para facilitar a análise de alterações em lesões ou pintas, Dr. Amato orienta os pacientes a seguir o método conhecido como ABCDE:

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  • A – Assimetria: quando uma parte da lesão é diferente da outra
  • B – Borda: irregularidades no contorno
  • C – Cor: cores diferentes na mesma pinta ou lesão
  • D – Diâmetro: quando for maior de 6 milímetros
  • E – Evolução: perceber se a lesão apresenta crescimento, muda de formato ou cor

Feridas que não cicatrizam depois de três semanas ou que sangram facilmente também devem ser investigadas.

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É preciso prestar atenção aos sinais na pele e se consultar com dermatologistas regularmente, principalmente se você fizer parte de grupos de risco. Foto: Pixabay

Geralmente, o dermatologista é quem faz a suspeita do diagnóstico pela dermatoscopia, exame realizado com lente de aumento, sendo necessário o estudo anatomopatológico para definição do diagnóstico.

Dependendo do local onde está a lesão, no caso de regiões do corpo mais delicadas e expostas, como a face, por exemplo, o paciente é encaminhado para o cirurgião plástico, que faz a remoção e reconstrução se necessário.

“A cirurgia do câncer de pele é muito variada, pode ser desde a remoção de um sinal, como a reconstrução inteira do local onde está a lesão e, muitas vezes, essa reconstrução é feita por etapas. Apenas os especialistas envolvidos poderão fazer a análise e a indicação mais apropriada para cada paciente”, explica Dr. Fernando Amato.

Acompanhamento

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Foto: Pixabay

No caso de melanoma, é preciso que o paciente faça uma rotina de acompanhamento, após terminar o tratamento, já que existe o risco da doença voltar. O acompanhamento envolve consultas com equipe multidisciplinar, envolvendo dermatologista, cirurgião plástico e oncologista, nos cinco primeiros anos após o diagnóstico da doença. “O paciente pode ajudar nesse rastreamento pós-operatório com o autoexame, identificando novas lesões suspeitas, alterações na cicatrização, e até aumento dos linfonodos.”, acrescenta Dr. Amato.