5 dicas de um neurocirurgião para aliviar o cansaço mental
Especialista da Unicamp explica como o excesso de estímulos e tarefas afeta o cérebro e orienta estratégias práticas de prevenção neste fim de ano
Especialista da Unicamp explica como o excesso de estímulos e tarefas afeta o cérebro e orienta estratégias práticas de prevenção neste fim de ano
Quase Natal e o cansaço mental já bateu na porta? O fim do ano costuma ser um período de sobrecarga mental, marcado por agendas cheias, reflexões pessoais, metas profissionais e compromissos sociais. Esse acúmulo de demandas aumenta a incidência da fadiga mental, um estado que compromete o foco, a memória, a tomada de decisões e o bem-estar emocional.
Segundo o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Unicamp, o uso intenso e prolongado do cérebro reduz a eficiência das conexões neurais e pode gerar impactos cognitivos relevantes. “A fadiga mental interfere diretamente na atenção, na memória e na cognição”, explica.
É preciso, portanto, buscar formas de driblar o cansaço mental. Confira abaixo como proteger o cérebro do cansaço com base em seu funcionamento.
Segundo estudo publicado na Frontiers in Psychiatry, a fadiga mental está associada ao acúmulo de glutamato, um aminoácido essencial para a comunicação entre neurônios. Esse excesso ocorre principalmente no córtex pré-frontal lateral, região responsável por funções cognitivas de alto nível, como planejamento, autocontrole e tomada de decisões.
Além do impacto cognitivo, o estresse contínuo pode aumentar a ansiedade e a irritabilidade, prejudicar o humor e a autoestima, afetar relações interpessoais e desempenho profissional e favorecer inflamações associadas a doenças crônicas e cardiovasculares.
Diante desse cenário, adotar hábitos que promovam a resiliência cerebral é fundamental. A seguir, o especialista reúne cinco estratégias eficazes para reduzir o cansaço mental no fim do ano.
O cérebro trabalha melhor quando executa tarefas de forma sequencial, e não simultânea. Ser multitarefa obriga o cérebro a alternar rapidamente o foco, processo que consome energia e reduz a capacidade de atenção. Ao estabelecer compromissos e metas realistas, é possível evitar a sobrecarga, assim como inserir pausas curtas ao longo do dia, que interrompem o ciclo de esforço cognitivo contínuo e ajudam a retomar as tarefas diárias com mais clareza.

O uso frequente do celular, notificações incessantes, o fluxo de informações e o scroll infinito sobrecarregam o sistema nervoso e dispersam o indivíduo, comprometendo a capacidade de manter a atenção. A redução de estímulos também previne a fadiga sensorial e facilita a reorganização mental, o que dá mais estabilidade para o funcionamento cerebral.
Enquanto a prática regular de exercícios físicos, estimula a liberação de endorfina, melhora a circulação sanguínea e favorece a oxigenação do sistema nervoso central e favorece processos de neuroplasticidade, ajudando o cérebro a manter desempenho adequado mesmo sob pressão, atividades relaxantes, como meditação e alongamentos, reduzem a ativação do sistema de alerta. A combinação cria uma verdadeira proteção contra a fadiga mental, com efeitos positivos na atenção, no processamento de informações e na tomada de decisões.
A nutrição adequada, rica em carboidratos complexos, proteínas de qualidade, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais, garante a liberação gradual de energia para o funcionamento ideal das células nervosas. É importante que o fornecimento seja consistente ao longo do dia, o que ajuda a evitar a sensação de esgotamento.
Além disso, o sono é essencial para que o cérebro execute funções reparadoras. “Durante o sono profundo, ocorre a consolidação da memória, a remoção de resíduos metabólicos e a reorganização de circuitos neurais. A falta de uma boa noite de descanso eleva os níveis de estresse, prejudica o raciocínio complexo e deixa nossa mente mais cansada ao longo do dia”, explica o neurocirurgião. “Por isso, não ignore os sinais de exaustão. O ritmo biológico deve ser respeitado”, alerta ele.
Níveis elevados ou persistentes de cansaço mental, que não melhoram mesmo após períodos de descanso, devem ser investigados por um profissional de saúde. Com acompanhamento adequado, é possível restaurar o desempenho cognitivo e prevenir impactos duradouros na saúde física e mental.