acampamento refugiados floresta
Foto: Reprodução YouTube | ACNUR
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Em 2014, cerca de 70 mil pessoas fugiram da violência na Nigéria e passaram a viver em um acampamento para refugiados em Camarões. Minawao já era uma região árida e a chegada de milhares de pessoas contribuiu para a desertificação do local, já que as árvores foram cortadas para servir de lenha e para cozinhar.

A chegada dos refugiados se tornou um problema para a população local que já enfrentava problemas relacionados à seca, principalmente nos meses de verão. O preço da madeira aumentou consideravelmente, causando conflitos na comunidade, já que cerca de 95% das famílias da região usam lenha para cozinha e aquecimento.

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Foto: Reprodução YouTube | ACNUR

O campo de refugiados cresceu e se tornou uma cidade que precisava de seus próprios suprimentos. Após a instalação do acampamento, as árvores sumiram e o cenário precisava mudar.

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Federação Luterana Mundial (FLM) se uniram e lançaram um programa único em 2017. Além de solucionar o desmatamento, a iniciativa incluía a promoção de energias renováveis. Os resultados apareceram e a comunidade se envolveu na restauração e proteção do meio ambiente.

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Foto: ACNUR

“Para onde quer que olhemos, agora é verde”, comemora Luka Isaac, presidente dos refugiados nigerianos em Minawao. 

“As árvores cresceram, temos sombra e teremos árvores suficientes para tornar o nosso ambiente bonito e saudável. Antes, o ar estava muito empoeirado. Agora o ar que respiramos é muito bom.”

Luka Isaac, presidente dos refugiados nigerianos em Minawao
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Foto: ACNUR

Plante árvores, colha comida e água

A FLM cultiva árvores frutíferas em viveiros, com a ajuda de refugiados voluntários, e depois distribui as mudas para os administradores do campo, escolas, mesquitas, igrejas e famílias.

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Foto: Reprodução YouTube | ACNUR

Antes de receber as mudas, as pessoas passam por um treinamento como usar a “tecnologia do casulo”, desenvolvida pela Land Life Company, para dar às mudas a melhor chance de sobrevivência no ambiente hostil do deserto. 

A técnica consiste em enterrar um tanque de água em formato de donut feito de caixas recicladas que envolve as raízes da planta e a alimenta com um barbante que se conecta ao broto jovem.

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Foto: ACNUR

Depois de 4 anos, cerca de 360 mil mudas foram cultivadas no viveiro nos arredores do acampamento – e plantadas em uma área de 119 hectares. Com a “tecnologia do casulo” as mudas estão registrando taxas de sobrevivência de 90%.

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Foto: ACNUR

Árvores frutíferas, acácias, cajus ou moringas fornecem frutas, remédios e muito mais. Depois de três anos, algumas árvores são grandes o suficiente para serem podadas como lenha, sem que sejam derrubadas. Um ciclo de plantio e colheita de cinco anos garante material para lenha, além de cipó para a construção de telhados. 

Como as árvores ajudam a parar o vento, elas também desempenham um papel importante na queda da erosão. Além disso fornecem sombra e com menos erosão e mais sombra, as famílias da região estão conseguindo cultivar outros alimentos.

“As árvores nos trazem muito. Primeiro, fornecem a sombra necessária para o cultivo de alimentos. Então, as folhas e galhos mortos podem ser transformados em fertilizantes para o cultivo. Finalmente, a floresta atrai e retém água: a chuva até aumentou.”

Lydia Yacoubou, nigeriana que vive no acampamento em Camarões
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Foto: ACNUR

A energia alternativa empodera mulheres e meninas

Além de plantar e garantir meios para a subsistência, era importante garantir que as árvores não seriam cortadas para virar lenha. A solução foi a produção de fogões com eficiência energética, juntamente com dois centros de produção de ‘carvão ecológico’.

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Foto: N. Toupak | FLM

As famílias no campo enviam seus resíduos das colheitas para o centro de carvão, onde são separados, secos, carbonizados e compactados em briquetes, usados ​​em fogões especialmente adaptados. A FLM afirma que já treinou mais de 5.500 famílias na produção de carvão ecológico e distribuiu 11.500 fogões com eficiência energética.

Na produção de carvão e fogões trabalham 300 pessoas, a maioria mulheres. Ter renda própria os empoderou e melhorou sua posição na família. Desde que o carvão vegetal se tornou a principal fonte de combustível, as meninas têm mais tempo disponível para estudar para a escola.

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Aisha Bukar (à esquerda) e Hawa Harona (à direita) montam a tampa em um recipiente de metal no qual a biomassa é queimada, em preparação para se tornar carvão. Com o apoio da FLM, todo o processo, desde o lixo ao carvão, é gerenciado e executado pelos próprios refugiados. Foto: Albin Hillert | FLM

Fibi Ibrahim, refugiada e mãe de cinco filhos que vive em Minawao desde 2016, é uma das trabalhadoras. “O dinheiro que ganho com a venda de briquetes de carvão me permite comprar sabão, temperos e carne para complementar a ração da família”, diz Fibi. “Espero que em breve, quando tiver economizado dinheiro suficiente, possa abrir minha própria loja no acampamento e atender plenamente às necessidades de minha casa.”

Confira no vídeo da ACNUR uma pouco mais sobre esta história de transformação verde:

Financiado por uma doação de US$ 2,7 milhões da Loteria Postal Holandesa, o programa de Camarões faz parte do programa do Grande Corredor Verde da África que tem como meta plantar e manter 7 mil quilômetros de vegetação e árvores para combater a desertificação e a seca no continente africano, ao longo da fronteira com o Saara.

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