parque augusta
Foto: Govesp
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Após anos de mobilização, o Parque Augusta, na capital paulista, começou a funcionar oficialmente no último sábado (6). O espaço reúne instalações voltadas aos mais diversos públicos – de crianças a idosos.

A área verde é composta por quase 25 mil metros quadrados de respiro em meio a agitada região central, tão carente de árvores e espaços de lazer a céu aberto. Entre as arbóreas, há nativas, porém as espécies são predominantemente exóticas como aglaia, falsa-seringueira e jacarandá-mimoso. Além disso, há as frutíferas, tais como abacateiro mangueira, nespereira e uva-japonesa.

Também já foram registradas 21 espécies de aves silvestres no local, sendo que três delas podem entrar em risco, de acordo com a prefeitura. São elas: o beija-flor-tesoura, o carcará e o periquito-rico.

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Já a estrutura construída é totalmente acessível. A área conta com caminhos para passeios, playground inclusivo, cachorródromo, equipamentos de ginástica e uma academia para a terceira idade. Sanitários públicos, arquibancada e deck elevado também foram inaugurados no local.

Fotos: Govesp

Apesar de todos os equipamentos, o projeto, segundo a gestão, leva em conta o Plano Diretor, que determina uma Taxa de Permeabilidade mínima de 90%, ou seja, somente 10% da área do Parque Augusta pode ser impermeabilizada. Dentro do local, há ainda áreas de manejo e compostagem.

Projeto arquitetônico

O projeto do novo espaço público é do escritório Kruchin Arquitetura, que tem à frente o arquiteto e urbanista Samuel Kruchin. O destaque fica por conta do resgate aos elementos da história da cidade de São Paulo.

“Uma nova área verde dessas dimensões é, sem dúvida, muito importante e um ganho para a população, que terá agora uma nova área pública e de qualidade para usufruir. Mas diria que o mais relevante de todo processo foi incorporar registros históricos que estavam soterrados. Além disso, é um parque que ajuda a contar também parte da história da Educação na capital, dos seus espaços públicos e dos seus jardins”, pontua Samuel Kruchin.

Imagens: Kruchin Arquitetura

Segundo o escritório de arquitetura, o terreno reúne fragmentos de construções históricas que datam do início do século 20. Localizavam-se no terreno a Escola Santa Mônica, o Instituto Sedes Sapientiae e o tradicional Colégio Des Oiseaux. E é desta última instituição que se origina um dos elementos centrais do novo parque: o Jardim Des Oiseaux.

Sob os cuidados das freiras do Colégio, o bosque original era formado por espécies exóticas, como Araucárias australianas, reflexo da influência estrangeira na administração do Colégio. Por seus caminhos, que foram restaurados e novamente interligados pelo projeto de arquitetura, situavam-se os oratórios e uma colina de reflexão – elementos que também foram incorporados ao projeto.

Também foi realizado um restauro da portaria original da Escola Santa Mônica, do muro para a rua Augusta e de uma das construções secundárias do Jardim Des Oiseaux. Nesta construção, foi preservada uma interferência feita no longo período de inatividade do lote: o graffiti de um tamanduá, criação de um artista anônimo.

Parque Augusta

A construção do Parque Augusta, que teve início em 2019, teve suas obras paralisadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que suponha haver resquícios de antigos povos indígenas. Na prospecção não foram encontrados quaisquer vestígios pré-coloniais, mas a presença de faianças finas, cerâmica, vidro e materiais construtivos da transição do século XIX para o XX.

Fotos: Rovena Rosa | Agência Brasil

Para o arquiteto Kruchin, o espaço trata-se de um ‘parque em processo’. “Em algum momento este subsolo, que esconde ainda muitos elementos, terá que ser explorado para transformá-los em mais atrativos do Parque Augusta. Ainda há muito a conhecermos desta história”.

Batizado de Parque Municipal Augusta “Prefeito Bruno Covas”, o espaço está localizado em um quarteirão entre as ruas Augusta, Consolação, Caio Prado e Marquês de Paranaguá. É administrado pela Subprefeitura da Sé.

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