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queimada Amazônia
Queimada ocorrida em 24/06/2022 após o início do período proibitivo, em Nova Maringá (MT) em área de expansão agrícola. Fonte: Planet, 2022.

Dados divulgados na noite desta quinta-feira, 30 de junho de 2022, pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), apontam que o mês de junho teve o maior número de focos de calor na Amazônia desde 2007. Os dados revelam que foram registrados 2.562 focos de calor. Mato Grosso e Pará lideram, concentrando 64,5% e 21,7% dos focos, respectivamente.

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Desde 23 de junho, o uso do fogo em território nacional foi proibido por 120 dias, de acordo com decreto presidencial (nº 11.100/22). Ainda assim, 1.113 focos foram registrados na Amazônia a partir desta data.

Além da Amazônia, no Cerrado, o número de focos de calor segue alto, com 4.239 focos. Entre janeiro e junho de 2022, foram detectados 10.869 focos de queimadas no Cerrado, um aumento de 13% em comparação ao mesmo período de 2021, quando foram registrados 9.568 focos. É o maior número para o período desde 2010. Já no Pantanal, houve um aumento de 17% em relação a junho de 2021, com 115 focos registrados.

nuvens de chuva amazônia
Foto: Sérgio Vale | Amazônia Real

“A estação seca mal começou e a Amazônia já está batendo novos recordes na destruição ambiental. O ocorrido não surpreende visto que a região está sob intensa ameaça, com altos níveis de ilegalidade que continuam devastando grandes áreas e vidas. Esse cenário se fortaleceu nos últimos três anos na Amazônia como resultado direto de uma política aplicada com êxito que facilita e estimula o crime ambiental”, comenta Cristiane Mazzetti, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil. “É tempo de pensarmos sobre a Amazônia que precisamos para o nosso futuro”, completa Mazzetti.

Segundo o Greenpeace, as ações do governo federal nos últimos anos, que, dentre outras ações, desmantelou órgãos de fiscalização ambiental, resultaram na elevação drástica do patamar da destruição ambiental.

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Biomas ameaçados

Mais áreas devem queimar nos próximos meses, período em que a floresta está mais seca, e quando o fogo é utilizado para realizar o desmatamento ou queimar os restos da floresta derrubada depois de secar ao sol.

queimadas na amazônia
Foto: Ascom CBPA

“A tendência desse contexto é catastrófica, não somente pela perda da biodiversidade nesses biomas, mas também para as populações que vivem na Amazônia e adoecem com a fumaça, em especial os povos indígenas e comunidades tradicionais que além de sofrer com a fumaça, têm seus territórios invadidos e desmatados. Esses números reforçam o desafio de superarmos essa economia que se alimenta de floresta e que não desenvolve a região. É um ano decisivo para o Brasil. É preciso que o povo brasileiro reflita profundamente sobre o futuro que precisamos para o nosso país”, complementa Mazzetti.

Desmatamento

cerrado vegetação
A região entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida como MATOPIBA, é considerada a vitrine do agronegócio brasileiro. Mas esse modelo vem acelerando o desmatamento no Cerrado. © Fernanda Ligabue | Greenpeace

O desmatamento também apresenta tendência de alta recorde no Cerrado e na Amazônia.Os dados do DETER/INPE para desmatamento foram atualizados até o dia 24 de junho. Mas, mesmo faltando uma semana para fechar o mês, o Cerrado teve em 2022 o pior mês de junho já registrado desde o início do monitoramento no bioma. Foram desmatados 752 km². A área sob alerta de desmatamento em junho de 2022 aumentou 55% em comparação a junho do ano passado.

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No acumulado do início do ano até o dia 24 de junho, o Cerrado também teve o pior início de ano desde o lançamento do DETER no bioma. Foram desmatados 3.364 km² desde o início de 2022 – um aumento de 34% em relação ao mesmo período em 2021.

Na Amazônia, o mês de junho apresentou uma redução de 17% no número de alertas de desmatamento, em comparação com junho de 2021. No acumulado de alertas desde o início do ano, porém, a Amazônia teve o pior início de ano desde o lançamento do DETER: 3.750 km², um aumento de 4% em relação ao mesmo período no em 2021.

desmatamento na Amazônia
Em sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022, o Greenpeace identifica um desmatamento de 2.300 hectares de floresta pública não destinada na Gleba Federal Curuquetê. Foto: Christian Braga | Greenpeace

“Com Bolsonaro correndo atrás nas pesquisas, os grileiros, os garimpeiros e todos que navegam na impunidade hoje reinante estão sentindo que precisam correr para consolidar seus crimes, com receio de que um novo governo possa acabar com essa festa. É uma verdadeira corrida contra o Brasil e até o final do ano vamos ver o tamanho desse desastre,” afirma Raul do Valle, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil.

A Amazônia que precisamos

Enquanto a Amazônia queima e representa uma dinâmica que precisamos eliminar, no último mês o Greenpeace realizou em Manicoré (AM) uma expedição para mostrar a Amazônia que precisamos para o futuro, junto de pesquisadores estudando a biodiversidade e de comunidades tradicionais que lutam pela proteção de seu território já ameaçado pelo avanço do desmatamento, da grilagem e da exploração madeireira na região.

Saiba mais sobre a expedição aqui.

Rio Negro Amazônia
Rio Negro, Amazônia. Foto: Natasha Olsen

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