As mariposas são vitais para a polinização noturna, apesar de suas funções serem pouco conhecidas e reconhecidas. É o que revela um estudo publicado em maio na revista científica inglesa Biology Letters.

Quando se fala em polinização, o foco da atenção científica e pública é, geralmente, limitado a alguns grupos de polinizadores. O papel crucial das abelhas tem sido bastante difundido, por exemplo, sobretudo devido à preocupação com o declínio global desses insetos. De todo o modo, o debate quase sempre gira em torno das abelhas diurnas.

Um estudo inglês, no entanto, está chamando atenção para a importância dos insetos noturnos e crepusculares. Entre eles, o papel secreto, mas essencial, das mariposas na polinização noturna.

Polinizadores noturnos

Além de transportarem o pólen de um grande número de plantas visitadas por abelhas, borboletas e sirfídeos (também conhecidos como moscas-das-flores), elas também interagem com plantas que não são comumente visitadas por esses insetos. Segundo a pesquisa, as redes de transporte de pólen da mariposa são maiores e mais complexas do que as redes de polinizadores diurnos.

polinizador noturno
Foto: Peter Miller | Flickr

De 838 mariposas, 381 foram encontradas transportando pólen. No total, o pólen de 47 espécies diferentes de plantas foi detectado, incluindo pelo menos 7 raramente visitadas por abelhas, sirfídeos e borboletas.

Em comparação, os polinizadores diurnos – uma rede de 632 abelhas, vespas, sirfídeos e borboletas – visitaram 45 espécies de plantas, enquanto 1.548 abelhas sociais visitaram 46 espécies de plantas.

O estudo foi realizado entre 2016 e 2017, nas margens de nove lagoas, localizadas dentro de campos agrícolas em Norfolk, no leste da Inglaterra. A conclusão dos pesquisadores é que elas podem desempenhar um grande papel de apoio à produção agrícola.

Espalhando o pólen

A pesquisa também mostrou que o transporte de pólen ocorre com mais frequência no tórax ventral da mariposa (peito), em vez de na probóscide (língua), permitindo que seja facilmente transferida para outras plantas. No estudo, 57% do pólen transportado foi encontrado no tórax ventral das mariposas.

“Estudos anteriores sobre o transporte de pólen entre as mariposas se concentraram na probóscide. No entanto, as mariposas se assentam na flor enquanto se alimentam, com seus corpos geralmente peludos tocando os órgãos reprodutivos da flor. Esse feliz acidente ajuda o pólen a ser facilmente transportado durante as visitas subsequentes”, explica Dr. Richard Walton, autor principal do estudo.

Walton também ressalta a importância destas espécies para o equilíbrio ambiental. “As mariposas noturnas têm um papel ecológico importante, mas esquecido. Elas complementam o trabalho dos polinizadores diurnos, ajudando a manter as populações de plantas diversas e abundantes. Elas também fornecem backup da biodiversidade natural, sem elas muitas outras espécies de plantas e animais, como pássaros e morcegos que dependem deles para alimentação, estariam em risco”.

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Foto: Ian Lindsay | Pixabay

Os pesquisadores são enfáticos em afirmar que insetos noturnos estão sendo negligenciados pela pesquisa de polinização e que é preciso incluí-los em futuras estratégias de gestão e conservação agrícola. Do contrário, corremos o risco de perder seus serviços de polinização antes mesmo de entendê-los razoavelmente.

O estudo “Polinizadores noturnos contribuem fortemente para o transporte de pólen de flores silvestres em uma paisagem agrícola” está disponível online.