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Quando os moradores de Ilha Comprida compraram suas casas na cidade, eles não imaginavam que em tão pouco tempo, seus imóveis fossem ficar tão perto do mar.

A maré, que já avançou mais de cem metros, engoliu diversas casas. Construções ruíram do dia para a noite e árvores foram arrancadas da terra.

O aposentado Décio dos Santos, dono de um terreno desde 1981, disse à Folha que os moradores tiverem que evacuar suas casas com urgência. "Muitos vizinhos saíram fugidos de casa no meio da noite com a maré derrubando tudo."

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Em entrevista à Folha, o professor e doutor do Instituto de Oceanografia da USP, Afrânio Rubens de Mesquita, diz que o nível do mar na costa brasileira sobe em razão das mudanças climáticas. Para ele, há dois motivos que contribuem para o avanço da maré na região. Um deles é que a ilha passou a ser “comida” de um lado e os sedimentos são transportados e depositados no outro. Além disso, existe um afundamento na costa, que faz o nível subir em relação à praia.

No último mês, na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC),o geógrafo Dieter Muehe, afirmou que as praias brasileiras estão desaparecendo. O geógrafo explicou à Agência Brasil que as mudanças climáticas estão provocando elevações no nível do mar, assim como tempestades em ritmo acelerado, resultando na vulnerabilidade das faixas de areia do país.

Muehe diz que o risco é maior nas grandes cidades. “As regiões urbanas são as que correm mais risco, pois a perda de areia não é reposta naturalmente e a orla sofre maior erosão. Isso já ocorre em várias praias do Rio de Janeiro, como Piratininga, Ipanema e Cabo Frio”.

Para conter o avanço, a Prefeitura de Ilha Comprida fez barreiras de sacos de areia de pedras e de pneus. Tudo em vão. “A força do mar é maior”, diz o engenheiro Juraci Brito, diretor de obras da cidade. Alguns especialistas afirmam que o engordamento da praia – processo em que a areia é  deslocada com característica semelhantes às da praia, para a região ocupada pelo mar – é uma das únicas soluções.

Com informações da Folha

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