Grupos de ativistas sul-coreanos foram às ruas, no último sábado (14), protestar contra o consumo de carne de cachorro no país. O tema gera polêmica há anos e tem alcançado o patamar político, com candidatos se baseando na promessa de proibir a prática em âmbito nacional.

Nas eleições para a prefeitura da capital Seul, por exemplo, partidos políticos foram pressionados por ativistas e decidiram apoiar a causa. O Partido Verde também assumiu o compromisso de defender os direitos dos animais.

O assunto começou a ser debatido pouco antes da Olimpíada de Seul, em 1988, quando os olhos do mundo se voltaram para o país oriental e se depararam com um costume pouco comum no ocidente. Conforme publicações sul-coreanas, a prática de usar a carne de cachorro na culinária se tornou um indicador de consciência nacional.

No entanto, mesmo com promessas, pouco tem sido feito no intuito de controlar ou exterminar o hábito. A estimativa é de que existam entre 15 e 20 mil fazendas especializadas em produzir cachorros para o abate na Coreia do Sul. A numeração correta é dificilmente concluída, pois o governo não controla a atividade por não considerar os cachorros como animais.

O movimento de proteção aos animais foi o que mais cresceu no país durante os últimos anos. Conforme a publicação local, The Hankyoreh, o grande incentivador destas ações foi o evento conhecido como “Inferno Jangsu”, ocorrido em 2006, quando a população pôde conhecer todo o processo de manufatura da carne de cachorro. Na ocasião um produtor de cachorro foi flagrado deixando os animais morrerem de fome. As fotos rapidamente se espalharam pela internet e abalaram a sociedade.

O intuito do grupo de ativistas que foi às ruas protestar é tornar a matança de cachorros algo proibido por lei, assim como aconteceu com o fim das touradas na região da Catalunha e com a proibição da caça às raposas na Grã-Bretanha. No entanto, Park Chang-kil, professor universitário e presidente da ONG Voice4Animals, lembra que os esforços devem ser concentrados em campanhas de conscientização, para que seja possível alcançar uma mudança na cultura nacional.

A produção de cachorros

Para garantir a qualidade da carne de cachorro direcionada à culinária é utilizada uma raça específica. Além disso, os animais são mantidos em espaços muito pequenos, com menos de um metro quadrado, onde permanecem até quatro cães por aproximadamente um ano, até que sejam comercializados. Sendo animais que por seu instinto natural precisam de espaço para correr, os cachorros enjaulados acabam ficando estressados. Quando isso acontece, eles mordem uns aos outros até a morte. Outro momento bastante condenado pelos ativistas é o transporte dos animais até o matadouro. Quando os cães são acondicionados em gaiolas minúsculas, que nem ao menos permitem o movimento, isso tudo para preservar a ternura da carne.

Com informações do The Hankyoreh.

Redação CicloVivo

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.