Por Pedro Garcia e Rafaela Bonilla

As plantas podem ter grande influência no clima do planeta. Foi isso que a pesquisadora Abigail Swann, professora e diretora do Laboratório Ecoclima da Universidade de Washington, descobriu no início dos anos 2000.

Durante décadas, a comunidade científica não dava a devida importância às vegetações como um dos influenciadores do clima. Swann, uma das cientistas emergentes nesse campo, foi contra a corrente e utilizou modelos que simulam os movimentos de água e substâncias químicas pelas plantas, descobrindo que a vegetação pode sim controlar o clima.

O preconceito dos cientistas com a área de estudo surgiu no século XIX nos Estados Unidos. O governo americano anunciou que com o plantio de árvores nas grandes planícies de ambientes áridos, o lugar se tornaria úmido. Milhares de pessoas se dirigiram ao oeste, acreditando que com mais vegetação a chuva viria, o que ocorreu. Com o fracasso do projeto, os cientistas, na tentativa de salvar sua credibilidade, rejeitaram fortemente o que haviam dito antes sobre a relação entre clima e vegetação.

Entretanto, para explicar o porquê de as plantas serem agentes ativos no clima é necessário entender a biologia por trás delas. A magia ocorre nos poros da planta, os chamados estômatos, que fazem as trocas gasosas com o ambiente. Eles absorvem o dióxido de carbono e liberam água. Com milhões de estômatos atuando simultaneamente, uma árvore e consequentemente, uma floresta, podem movimentar uma grande escala de água. De acordo com o climatologista Antônio Nobre, a Floresta Amazônica por si só é responsável por descarregar na atmosfera aproximadamente 20 trilhões de litros de água por dia.

Toda a água liberada pelas plantas viaja pelo ar. Ao redor do globo toda a umidade impacta diferentes ecossistemas, no caso da Amazônia o raio de impacto vai do Centro-Oeste estadunidense até a cidade de São Paulo.

Como pode-se perceber, a vegetação nativa brasileira impacta fortemente o clima, não só nacional, mas também em âmbito global. A partir dos estudos de Swann, Nobre e muitos outros cientistas é notável a importância de preservar as florestas nacionais. O Brasil tem como metas até 2030 pelo Acordo de Paris, restaurar 12 milhões de hectares de florestas e também alcançar o desmatamento zero ilegal na Amazônia. Essas medidas podem ser essenciais para a manutenção do clima e do planeta como é conhecido hoje.