Nos confins do leste da Índia existe uma tribo ameaçada de extinção. A tribo dos Dongria Kondh, com cerca de 8.000 membros, moram em pequenas casas de barro, cobertas por folhas de palmeira, sem eletricidade ou televisão, reclusos nas colinas de Niyamgiri. Eles são ameaçados de expropriação por uma companhia britânica, Vedanta Resources, que quer explorar a bauxita de sua montanha.

Em Orissa, as colinas de Niyamgiri são veneradas como templos pois abrigariam, segundo as crenças dos Dongria Kondh, o espírito do deus Niyam Raja. Todos os dias, os habitantes fazem preces diante de pequenas estatuetas de madeira colocadas ao longo dos caminhos de terra, com oferendas de frutas ou animais sacrificados aos seus pés.

Para a gigante mineradora britânica Vedanta Resources, que pertence a Anil Agarwal, um bilionário indiano, essas colinas abrigam sobretudo uma jazida de bauxita de uma qualidade excepcional. Uma usina já foi construída aos pés das colinas para transformar a bauxita em alumínio. Mas ela continua esperando pela abertura da mina para funcionar a 100% de sua capacidade. Cento e vinte famílias da tribo dos Dongria Kondh, que aceitaram ser empregadas, agora vivem em casas de cimento.

A Vedanta Resources lhes prometeu infraestrutura médica, escolas e terras para se dedicarem à agricultura. São muitas as crianças da tribo que sofrem desnutrição, e nem 5% da população sabe ler ou escrever.

Destruição das florestas

Segundo um relatório publicado pela ONG Anistia Internacional, a usina inaugurada pela Vedanta Resources em 2006 já teria começado a poluir os cursos de água, ameaçando a saúde dos habitantes. “Nós tínhamos o costume de nos banhar no rio. Mas agora tenho medo de levar meus filhos até lá. Meus dois filhos estão se queixando de coceira”, declarou uma das moradoras aos autores do relatório.

As ONGs locais também temem a destruição das densas florestas que servem de “despensa” para os Dongria Kondh. Os habitantes vivem da colheita e buscam plantas medicinais na espessa vegetação que os cerca. O instituto indiano da fauna e da flora alerta contra os danos irreversíveis ao meio ambiente que a perfuração de uma mina poderia causar.

A Igreja da Inglaterra anunciou que se retiraria do capital da Vedanta Resources – onde sua participação era de US$ 6 milhões (R$ 11 milhões) – alegando que a empresa não respondia às suas expectativas em matéria de “respeito aos direitos humanos”. Dois anos antes, foi o Fundo Soberano norueguês que se dissociou de seu capital pelos mesmos motivos.

As ONGs locais denunciam as ameaças e intimidações sofridas pelos membros da tribo para deixarem suas terras. Apesar dessas críticas, a empresa disse que investiria US$ 10 milhões na proteção da colina, e que “estimularia a economia das comunidades locais” graças à abertura da mina. O projeto, que recebeu a aprovação da Suprema Corte indiana em agosto de 2008, deverá começar dentro de alguns meses.

Confira o lindo filme sobre a tribo

[VIDEO:dongria_kond_e_sua_montanha_sagrada]

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.