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plásticos descartável
Foto: Plastic Pollution Coalition | Flickr

Falar da crise global de plásticos é, por vezes, um assunto abstrato. Apesar do problema ser reconhecido, a responsabilização sobre os grandes geradores de resíduos plásticos é praticamente nula. O Brasil, por exemplo, é o quarto maior gerador de lixo plástico no mundo, porém recicla apenas 1,28% do plástico que produz. Mas, como cobrar por ações sem apontar nomes? Uma nova análise buscou revelar a origem e a verdadeira escala do problema. O resultado mostra que apenas 20 empresas – apoiadas por um pequeno grupo de financiadores – são responsáveis ​​pela produção de mais de 50% do plástico descartável que acaba no lixo em todo o mundo. 

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Intitulado “Plastic Waste Makers Index”, o relatório aponta que um pequeno grupo de empresas petroquímicas que fabricam “polímeros” – o alicerce dos plásticos – é revelado como a fonte da crise. Tais polímeros se transformam em plásticos descartáveis, que, após curto tempo de uso, vão parar nos aterros e oceanos.

Os pesquisadores analisaram a cadeia de suprimentos de plásticos, de ponta a ponta. “Nós desenterramos uma trilha de papel com evidências que rastreiam polímeros plásticos conforme eles saem das fábricas, acompanhando-os conforme eles são comercializados em todo o mundo e convertidos em plásticos descartáveis, e onde eles são finalmente usados e jogados fora”, diz um trecho do relatório.

ExxonMobil e Dow – ambas com sede nos EUA – encabeçam a lista, seguidas pela Sinopec, com sede na China. As três empresas em conjunto respondem por 16% da produção global de polímeros destinados a resíduos plásticos de uso único. O Brasil tem destaque no “Top 10” com a empresa Braskem, produtora de resinas termoplásticas.

Ao todo, foi apontado que 100 produtores de polímeros descartáveis são responsáveis por mais de 90% de todos os resíduos plásticos globais.

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Os pesquisadores denunciam que quase todas as companhias apontadas “defendem a sustentabilidade da boca para fora” enquanto elabora planos de aumentar a capacidade de produção de plástico virgem ao invés de reduzir. 

Além dos produtores, o documento estima que 20 dos maiores bancos do mundo, liderados pelo Barclays, HSBC e Bank of America, tenham emprestado quase US$ 30 bilhões para a produção de polímero plástico descartável desde 2011.

O relatório também aponta 20 gestores de ativos institucionais, liderados por Vanguard Group, BlackRock e Capital Group, detêm mais de US$ 300 bilhões em ações nas empresas controladoras de produtores de polímeros plásticos descartáveis. 

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“Um pequeno número de gestores de ativos institucionais e bancos globais estão fornecendo bilhões de dólares para empresas que produzem polímeros a partir de combustíveis fósseis e apenas uma fração para empresas que tentam mudar para uma economia de plástico circular. Essa assimetria precisa ser revertida com urgência”, alerta o relatório.

A análise ainda mostra quais países são os maiores contribuintes para a crise do plástico descartável. A Austrália lidera a lista dos que mais geram resíduos plásticos descartáveis per capita. Foram 59 quilos de plástico por pessoa em 2019. 

No total, o estudo afirma que 130 milhões de toneladas métricas de plástico descartável acabaram como resíduos em 2019 – quase todos queimados, enterrados em aterros ou descartados diretamente no meio ambiente. Somente 10% a 15% do plástico descartável é reciclado globalmente a cada ano.

O relatório é fruto da iniciativa No Plastic Waste da Fundação Minderoo, que visa estimular uma economia verdadeiramente circular, onde os combustíveis fósseis não são mais usados ​​para produzir plásticos. O trabalho teve várias parcerias, entre elas com as instituições Wood Mackenzie, London School of Economics e Stockholm Environment Institute.

A Fundação Minderoo, autora do relatório, pede que as empresas petroquímicas sejam obrigadas a divulgarem a “pegada de resíduos de plástico” e se comprometam a fazer a transição dos combustíveis fósseis para modelos circulares de produção de plástico. Aos bancos e investidores, a recomendação é transferir capital, investimentos e finanças de empresas que produzem plástico virgem baseado em combustível fóssil para empresas que usam matérias-primas de plástico reciclado.

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