A geógrafa Eliane Hirata desenvolveu uma ferramenta virtual que indica os pontos de alagamentos na cidade de São Paulo. Os internautas podem acompanhar e colaborar com informações, que ficam disponíveis na internet.

O mapa foi idealizado por Eliane durante sua pesquisa de mestrado para a Escola Politécnica da USP. Ela elaborou um sistema em que as informações são obtidas a partir da contribuição voluntária de dados geográficos dos usuários que acessam o site do projeto, obtidos por receptores GPS em telefones celulares. O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A página com o mapeamento, denominada “Pontos de Alagamento”, pode ser acessada através do computador, celular e dispositivos móveis. Também é possível aos usuários se cadastrarem no site para receber alertas de inundações.

O site utiliza a plataforma livre e de código aberto Ushahidi, criada por desenvolvedores africanos e já utilizada no exterior em casos de desastres naturais e crises políticas. “Essa plataforma permite criar mapas de forma colaborativa, com base no princípio denominado Volunteered Geographic Information (VGI), ou seja, informação geográfica voluntária”, conta a geógrafa. “A página é hospedada no serviço Crowdmap, que abriga mapas sem a necessidade da instalação em servidores, bastando apenas customizar o site”.

Ao acessar a página, o usuário visualiza um mapa da cidade de São Paulo, com marcações dos pontos de alagamento. “Ele também pode consultar uma lista com os relatos de inundações, incluindo indicação de endereço, data e horário”, aponta Eliane. “São disponibilizadas ainda informações fornecidas pelos órgãos oficiais, como o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo, e sites de notícias”.

A pessoa que quiser colaborar pode enviar um relato de alagamento, preenchendo um formulário, e também mandar fotos e vídeos. “A descrição dos eventos é padronizada, de acordo com os padrões do CGE”, conta a pesquisadora. “O site possui um sistema que indica no mapa se a rua está intransitável, transitável ou se a água já escoou, entre outras categorias”.

Alertas

Os usuários cadastrados também podem receber alertas de alagamento, bastando informar seu endereço. “Uma vez cadastrado, ele receberá os informes sobre alagamentos acontecidos em um raio que pode ser de 5 a 100 quilômetros de distância do local informado”, ressalta Eliane. O acesso ao site pode ser feito pela internet, e também por telefone celular, iPhone ou Android, por intermédio de um aplicativo disponibilizado aos usuários no site do projeto.

“Pela internet, é possível entrar com o nome da rua e marcar manualmente no mapa o ponto de alagamento”, afirma a geógrafa. “Quando a informação é passada por celular ou aparelhos móveis, o ponto é inserido automaticamente por meio do sistema de localização do celular, baseado em GPS”.

Para acessar o site Pontos de Alagamento clique aqui.

Júlio Bernardes, da Agência USP

 

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.