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Quando a educação e a renda chegam, a liberdade floresce

Com apoio de projetos da Ford e da Gerando Falcões, mulheres conquistam autonomia financeira e autoestima

asmara
Carliene mudou o curso de sua vida e hoje é líder da iniciativa ASMARA. Foto: Malu Monteiro

Sem emprego, sem salário, com três filhos e um relacionamento nada saudável. Foi nessas condições que Carliene da Silva Ferreira, até então costureira autônoma, conheceu o piloto do projeto ASMARA. Ela havia sido despedida de uma oficina de costura durante a pandemia e, em 2023, quando o programa foi apresentado, não pensou duas vezes antes de agarrar a oportunidade que mudaria o curso de sua vida.

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ASMARA é um negócio social da Gerando Falcões com foco na geração de renda para mulheres da favela e periferias. A partir de itens doados à organização, as participantes recebem um kit de produtos e realizam a venda direta das peças. A iniciativa busca contribuir para a autonomia financeira e aumento da autoestima, unindo desenvolvimento social e econômico.

Os projetos desenvolvidos pela instituição liderada por Edu Lyra costumam reunir parcerias de peso. Com este não foi diferente, em 2024, a Ford doou um Mustang comemorativo de 60 anos, customizado pelo designer Alan Mosca.
O veículo foi leiloado no evento Favela Gala e o valor totalmente revertido para as ações sociais da entidade. Dando mais um passo nesta colaboração, na última sexta-feira (16), a Ford anunciou a cessão de uma Transit. A van estilizada irá contribuir logisticamente com a mobilidade das “maras”, como são chamadas as mulheres que integram o programa.

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Ford Transit
A van estilizada vai contribuir logisticamente com a mobilidade das “maras”. Foto: Malu Monteiro

Para gente é um carro que transporta dignidade. Ali dentro vão produtos, que entram como microcrédito na mão de mulheres. Elas vendem em suas próprias comunidades e ganham uma comissão que é muito importante para sair da probreza”, detalha Edu Lyra em entrevista ao CicloVivo. “É um carro que vai fazer a gente ser mais rápido, mais eficaz”, completa.

Carliene, hoje líder de ASMARA, reforça que o veículo vai agilizar o trabalho. “O carro é como se fosse um turbo no nosso corre. Vamos conseguir buscar e levar a doação, fazer entrega, montar ações, vai facilitar tudo. É mais independência, estrutura e mais impacto na vida de mulheres que estão com a gente. A favela vai acelerar com esse carro porque vai facilitar a logística”, detalha.

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Ford Gerando Falcões
Edu Lyra, da Gerando Falcões, e Martín Galdeano, presidente da Ford América do Sul. | Foto: Malu Monteiro

A ação social dá início à comemoração de seis décadas da van no mercado global. “Queríamos comemorar os 60 anos de Transit também com um projeto de impacto social e surgiu a oportunidade de parceria com a Gerando Falcões”, conta o presidente da Ford América do Sul, Martín Galdeano. Segundo ele, a Transit é uma das vans mais vendidas da história e há 10 anos lidera o segmento nos Estados Unidos e Europa.

“Tenho paz dentro da minha casa”

Mais de 70% das mulheres que entram no programa ASMARA estão com o nome no SPC (Serviço de proteção ao crédito), mas isso não é empecilho. Pelo contrário, o olhar está mais voltado para as vantagens estratégicas de empoderar essas mulheres como meio para reduzir a pobreza no Brasil.

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Carliene da Silva Ferreira, líder de ASMARA. Foto: Malu Monteiro

“Trabalhar com mulher é uma decisão inteligente. Quando uma mulher tem dinheiro no bolso, ela pensa na família. A forma mais rápida de tirar uma criança da pobreza é colocar dinheiro no bolso das mulheres”, aponta Lyra. Carliene que o diga. Mais do que conseguir uma renda para a própria sobrevivência, ela conseguiu a liberdade de viver a própria vida. “Eu morava com uma pessoa em uma casa que eu ajudei a construir, mas o terreno não era meu. Todas as vezes que a gente discutia, eu escutava que se não estivesse bom para mim eu procurasse meu rumo. Mãe de três filhos, desempregada, sem renda: para onde ir? que rumo tomar? Olhava para um lado e para outro e não via saída. Aí você se mantém naquele lugar, naquele relacionamento que já não está mais te fazendo bem”, relata.

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As responsabilidades de cuidar dos filhos e gerenciar as demandas do lar, que recaem com maior peso no colo das mulheres, influenciam nas oportunidades de trabalho e estudo na vida das mulheres. No caso de Carliene, foi após sua entrada na Geraldo Falcões que sua vida começou a ganhar novos contornos e abriu-se a possibilidade de sair da dependência financeira. Além da venda direta de produtos, ela participou de outros projetos, como o Favela Creators (que forma criadores de conteúdo de favelas e periferias de São Paulo) e o Gerando Lideranças, e nunca mais parou de buscar o desenvolvimento pessoal e profissional. “Consegui construir minha casa. Ainda não terminei, há partes ainda sem reboco, mas tenho banheiro, tenho uma pia, eu tenho paz dentro da minha casa”, conta.

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ASMARA é um negócio social da Gerando Falcões com foco na geração de renda para mulheres da favela e periferias. Foto: Malu Monteiro

O projeto ASMARA começou sobretudo com roupas e sapatos, mas a gama de produtos tem sido ampliada desde então com eletrodomésticos, itens de cama, mesa e banho, itens de beleza e cosméticos. Lyra conta que tem feito colaborações com várias indústrias e até parcerias internacionais. O foco ainda é aumentar a escala: há quase três mil mulheres no programa e a intenção é concluir o ano com mais de 10 mil.

Nunca é tarde para se reinventar

Gislene Peruzzo é exemplo de outra mulher adulta que se recolocou profissionalmente – esta por meio de um projeto de educação em tecnologia da Ford que inclui ferramentas de incentivo à inserção no mercado de trabalho.

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Ao CicloVivo, Galdeano havia relatado emocionado sobre os projetos de cunho socioeducacional que a empresa tem desempenhado. Executivo de uma das maiores companhias do mundo, ele conta que ao ouvir crianças cantando o hino nacional durante a inauguração de uma escola na Argentina, ficou tão emocionado que não conseguiu falar quando chegou sua vez. “Nosso pilar de educação é muito grande. É uma ferramenta muito potente que incentivamos para mudar a vida das pessoas”, diz. Um desses projetos é justamente o que possibilitou Gislene a descobrir novos talentos em si mesma.

Mãe aos 18 anos, Gislene sempre trabalhou, mas os estudos só foram completados até o Ensino Médio. Durante um período de sua vida empreendeu em uma banca de jornal, mas percebeu que a mídia impressa estava muito desatualizada diante da velocidade das informações. Soou um alerta. Aos 50 anos, após o incentivo de um amigo, tentou entrar na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Passou. “Fui aprovada para Tecnologia da Informação. Era uma coisa que eu gostava porque eu sempre me mantinha atualizada mesmo fora do mercado de trabalho”, conta.

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Gislene Peruzzo. | Foto: Ford

A partir desse ponto, o algoritmo deu um empurrão e ela se jogou: apareceu no LinkedIn o Ford <Enter>, um programa gratuito de capacitação na área de tecnologia desenvolvido pela Ford Brasil e pelo Ford Philanthrophy, em parceria com o SENAI-SP. “Inicialmente fiquei um pouquinho com o pé atrás, mas fui. Fiz a inscrição e fui aprovada. Em 2023, comecei o curso, era a mais velha da sala”, relata. Foram seis meses de curso, que incluiu, além das aulas de tecnologia, inglês técnico, segurança do trabalho, metodologias ágeis. Apesar da novidade, Gislene foi percebendo que muito já era aplicado em seu dia-a-dia. Todos os conhecimentos adquiridos fora da academia se somaram aos novos aprendizados.

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O Ford é um programa gratuito de capacitação na área de tecnologia desenvolvido pela Ford Brasil e pelo Ford Philantropy.

Após o curso, ela manteve o foco. Fez outros cursos, aplicava o conhecimento, sendo inclusive selecionada para uma mentoria com um líder da Ford. “Comecei a me sentir confiante para participar de entrevistas na área até que abriu o processo de estágio em 2024 para Ford. Não avancei no processo. Mas, logo depois abriram vagas afirmativas para mulheres. Só tinham duas vagas e eu fui aprovada”. Já são oito meses trabalhando na companhia.

Mudou a minha perspectiva de futuro, mudou a minha autoestima, mudou a minha confiança. Hoje eu tenho realmente planos de futuro. Muitas pessoas deixam de fazer as coisas por causa da idade, por falta de disposição financeira. Você vê, eu faço uma faculdade gratuita”, entusiasma-se. Gislene é também hoje graduanda em Engenharia da Computação e não deixa de expressar que está muito feliz. Sua motivação tem inspirado até dentro de casa: formado em economia, o filho decidiu prestar vestibular para uma segunda faculdade, desta vez de tecnologia da informação. “Acho que eu também quero ser inspiração para as pessoas”, diz. Ela já começou de forma brilhante e tem toda uma vida pela frente para seguir inspirando quem está ao seu redor.

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