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frutas manga Brasilia
Cidade conta com cerca de 950 mil árvores frutíferas. Foto: Joel Rodrigues | Agência Brasília

Abacate, pequi e baru são algumas das espécies comestíveis disponíveis abundantemente na cidade concebida por Oscar Niemeyer. Brasília, a capital do Brasil, abriga um grande pomar a céu aberto, com mais de 950 mil exemplares de árvores frutíferas de 35 espécies. Em meio a tanta diversidade, Camila Faeda, estudante de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB) buscou identificar como as árvores no meio urbano podem ser aliadas no combate à insegurança alimentar da população vulnerável. O resultado foi animador.

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De acordo com a estudante, com práticas simples, como o aproveitamento integral de frutas, o Distrito Federal pode combater a insegurança alimentar e ainda se tornar referência em nutrição sustentável.

baru
Baru, fruto típico do Cerrado. Foto: Divulgação | Embrapa

Nas superquadras da capital, é possível colher, em diferentes épocas do ano, frutas como abacate, acerola, açaí, amêndoa, amora, cajá-manga, caju, carambola, goiaba, graviola, jabuticaba, jambo, jamelão, jaca, manga, nêspera, pitanga, pitomba, romã, tamarindo, uva-do-pará, araçá, baru, cagaita, cajá, ingá, jatobá e pequi. Já no Parque da Cidade, podem ser encontradas espécies adicionais, como limão, jenipapo e oiti.

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Focada no aproveitamento integral destes alimentos, com o uso de partes não convencionais, como cascas, a pesquisadora testou a aceitação e viabilidade do consumo de ingredientes sustentáveis e acessíveis. “Ao incorporar ingredientes ricos em nutrientes, se evita a compra de produtos industrializados ou suplementos mais caros. Para famílias vulneráveis, onde cada real faz diferença, transformar resíduos em refeições nutritivas é uma estratégia para garantir alimentos acessíveis e combater o desperdício”, destaca Faeda.

frutas Brasilia
Foto: Agência Brasília

Manga como foco da pesquisa

A partir da análise de literatura e experiência sensorial com uma das frutas presentes nos locais públicos da cidade, a escolha da manga se deu pela abundância em Brasília e pelo alto valor nutricional e versatilidade em receitas culinárias. “As mangueiras espalhadas pela capital fornecem um recurso alimentar riquíssimo, mas que muitas vezes é subutilizado”, destaca a estudante.

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benefícios da manga
Foto: Charles Deluvio | Unsplash

Após a escolha do fruto, foi desenvolvida uma receita de bolo de casca de manga para a experiência sensorial de degustação para voluntários adultos de 20 a 60 anos. Essa etapa consistiu em desenvolver uma receita simples, facilitando a adoção e promoção de alimentação mais saudável e sustentável para famílias de diferentes contextos. “O bolo oferece fibras, antioxidantes e compostos que beneficiam o organismo. A ideia foi criar uma receita composta por ingredientes baratos e fáceis de encontrar. São todos disponíveis em cestas básicas”, explica.

Segundo Camila Faeda, a aceitação positiva do bolo de casca de manga sugere que tais práticas não só são viáveis, mas podem ser bem recebidas pela comunidade e implementadas em políticas públicas no combate à fome. “Com práticas simples, como o aproveitamento das cascas de manga, a região não só pode combater a insegurança alimentar, mas também se tornar referência em nutrição sustentável, inspirando outras regiões a fazer o mesmo”, frisa.

Frutos no combate à insegurança alimentar

Para expandir o impacto da pesquisa, Camila Faeda afirma ser essencial promover, por meio de políticas públicas, oficinas culinárias gratuitas, ensinando famílias a usar partes não convencionais dos alimentos. “Programas escolares podem integrar o tema em atividades e merendas, sensibilizando as novas gerações. Campanhas educativas podem destacar os benefícios nutricionais e econômicos dessas práticas. Já parcerias com supermercados e feiras livres podem oferecer alimentos que seriam descartados a preços acessíveis”, reforça.

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frutas Brasilia
Frutas caem na beira da estrada. Foto: Lúcio Bernardo Jr. | Agência Brasília

Para Paloma Popov, orientadora do projeto e professora de Nutrição do CEUB, a metodologia utilizada é adaptável a diferentes contextos urbanos, ou seja, em outras cidades com diversidade de espécies frutíferas. “É importante identificar os alimentos mais comuns em cada região. Por exemplo, onde a manga não é comum, cascas de banana, sementes de abóbora ou talos de vegetais podem ser alternativas”, completa a orientadora.