7 terras indígenas são declaradas em SP
Com portaria de Lewandowski, processo de demarcação avança nos territórios que abrangem seis municípios
Com portaria de Lewandowski, processo de demarcação avança nos territórios que abrangem seis municípios
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, assinou a portaria declaratória de sete Terras Indígenas (TIs), quebrando um jejum de oito anos sem demarcações no estado de São Paulo. Com a medida, a demarcação dos territórios avança para as próximas fases que são a demarcação física, a homologação e o registro imobiliário.
Ocupando uma área de mais de 18 mil hectares de extensão, as TIs são: Jaraguá, Peguaoty, Djaiko-aty, Amba Porã, Pindoty – Araça-Mirim, Tapy’i/Rio Branquinho e Guaviraty. Os territórios abrangem os municípios de Sete Barras, Osasco, Miracatu, Cananéia, Iguape, São Paulo e abrigam 982 indígenas dos povos Guarani e Guarani Mbya. De acordo com matéria do ISA, o territórios esperaram, em média, 14 anos pela declaração.

O ato que oficializou a assinatura das sete portarias declaratórias aconteceu na quarta-feira (24), em Brasília, na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, órgão responsável por essa fase do processo de demarcação de terras indígenas.
“Essa etapa reconhece formalmente a posse dos povos indígenas sobre um determinado território. Isso nasce com os estudos de identificação e delimitação, a cargo da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) que, baseada em estudos antropológicos, reconhece os direitos dos povos indígenas sobre um determinado território”, explicou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Para além de uma reparação histórica em relação aos povos Guarani e Guarani Mbya, que tradicionalmente ocupam os territórios, a demarcação das terras indígenas contribui para a preservação da Mata Atlântica, onde estão inseridos os territórios. Já é reconhecido que os povos indígenas são os maiores guardiões das florestas.
O evento de oficialização contou com a presença de lideranças indígenas, entidades indigenistas e autoridades de diversos órgãos. “ É um momento histórico que com certeza vai possibilitar que a gente avance com outros processos e outras assinaturas que seguem pendentes no Estado brasileiro”, afirmou Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.

“Estou levando essa portaria assinada para o meu território muito feliz e com o coração mais tranquilo porque a gente vai ter um pouco de paz contra as especulações imobiliárias, contra os invasores, a perseguição e discriminação que a gente sofre”, disse a liderança Jandira Paramirim, da Terra Indígena Jaraguá, falando com a voz embargada.

Já Saulo Guarani, da Terra Indígena Amba Porã, ressaltou que a medida “garante uma parcela, mas ainda existem vários outros territórios que necessitam desse passo para que a gente mantenha a nossa cultura viva tradicionalmente dentro do nosso território”.

As duas lideranças entregaram um pedido formal, por meio de documento, ao ministro Ricardo Lewandowski, solicitando a assinatura de portarias declaratórias de outras terras indígenas de São Paulo que precisam avançar para esta fase do processo demarcatório.
De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, as portarias de demarcação são um importante ato oficial de reconhecimento institucional sobre o direito dos povos indígenas à posse permanente das terras que tradicionalmente ocupam. “Desde 2018, não havia nenhuma demarcação e já estamos com 11 terras indígenas reconhecidas. Isso é um recorde e vamos continuar demarcando, mas sempre com muita segurança e dentro do que prevê a nossa Constituição”, declarou.
JARAGUÁ — Nos municípios de São Paulo e de Osasco, a área reconhecida na portaria tem 532 hectares e é ocupada pelo povo indígena Guarani. O território tem como limites a Rodovia dos Bandeirantes, a Rodovia Anhanguera e o Rodoanel Mário Covas. Cerca de 58% da sua superfície está sobreposta com o Parque Estadual do Jaraguá.
A demarcação adequa os limites da terra indígena, homologada em 1987 com apenas 1,7 hectare, aos parâmetros da Constituição Federal. A nova portaria repara a situação de ilegalidade decorrente da anulação da portaria declaratória, ocorrida em 2017, ao restabelecer os efeitos da portaria declaratória publicada em 2015.
PEGUAOTY — O território tem 6.230 hectares e fica no município de Sete Barras. Está integralmente sobreposta com os Parques Estaduais de Intervalares e Carlos Botelho. Há também cerca de 7% em sobreposição com a Área de Proteção Ambiental Serra do Mar, declarada Unidade de Conservação.
DJAIKO-ATY — No município de Miracatu, a área tem 1.216 hectares e pertence aos Guarani Nhandeva, Guarani Mbya, Tupi e Tupi-Guarani. O território fica na região do Vale do Ribeira e está totalmente sobreposto com a Área de Proteção Ambiental Serra do Mar, declarada Unidade de Conservação.
AMBA PORÃ — Com 7.204 hectares, a terra fica no município de Miracatu e é habitada pelo povo indígena Guarani-Mbya. Integralmente sobreposta com a Área de Proteção Ambiental Serra do Mar, tem um empreendimento de mineração no entorno. “Estamos esperando essa demarcação há mais de 20 anos. Sabemos que a luta não vai terminar aqui, mas ainda acreditamos na Justiça do nosso País e na Constituição”, disse a liderança da Terra Indígena Amba Porã, Saulo Guarani.
PINDOTY-ARAÇA-MIRIM — A terra é ocupada pelo povo indígena Guarani-Mbya e tem parte do seu território dentro da Área de Proteção Ambiental Cananéia–Iguape–Peruíbe. Com 1.030 hectares, fica na cidade de Cananéia.
TAPY’I/RIO BRANQUINHO — Pertencente aos Guarani-Mbya, a terra tem 1.154 hectares e está no município de Cananéia. A totalidade do território está sobreposta com a Área de Proteção Ambiental Cananéia–Iguape–Peruíbe.
GUAVIRATY — Com 1.248 hectares, a área está dividida entre as cidades de Iguape e Cananéia. É ocupada pelo povo indígena Guarani-Mbya e tem o seu território totalmente sobreposto com a Área de Proteção Ambiental Cananéia–Iguape–Peruíbe.
Com informações da Funai e Secom