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SampaAdapta
Foto: Daniel Reis | Acervo SVMA

A cidade de São Paulo registrou três recordes de calor para o mês de dezembro, chegando a atingir 37,2ºC. Recentemente, um estudo revelou que as altas temperaturas revelam mais uma dimensão da crise habitacional da cidade: a favela de Paraisópolis registrou 15°C a mais do que o bairro do Morumbi entre o final de 2024 e o início de 2025. Diante do aumento das temperaturas e da desigualdade térmica entre regiões da cidade, a Prefeitura de São Paulo lança o SampaAdapta.

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A iniciativa integra ciência, gestão pública e participação social para fortalecer e aprimorar políticas públicas voltadas ao enfrentamento do calor extremo, à proteção de populações vulneráveis e ao planejamento urbano baseado nas mudanças climáticas.

O projeto surge a partir da análise do cenário urbano atual, que revela diferenças de temperatura entre distintas regiões da cidade — fator que amplia riscos à saúde pública, especialmente entre idosos. O SampaAdapta tem como objetivo mapear e propor uma rede de espaços de conforto térmico, reforçar políticas de saúde e de áreas verdes e estimular o engajamento da população, além da troca de boas práticas com cidades de diferentes países.

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A iniciativa é resultado da parceria entre a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e a Parceria por Cidades Saudáveis, com apoio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e suporte técnico do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG/USP). A Parceria por Cidades Saudáveis reúne mais de 70 cidades comprometidas com a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e lesões, com apoio da Bloomberg Philanthropies em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies. O SampaAdapta está inserido no Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PLANCLIMA SP) e no Plano Municipal de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres (PLANPAVEL).

Paraisópolis
Comunidade de Paraisópolis. Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

“Vamos enfrentar um verão de altas temperaturas e isso exige políticas públicas de adaptação baseadas em evidências. A adaptação não é apenas uma política pública, é um ato coletivo de cuidado”, afirma o Secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Kenji de Souza Ashiuchi.

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SampaAdapta: integração entre dados de calor e saúde

O SampaAdapta tem como eixo central a coleta e análise integrada de dados de calor e saúde. Sensores climáticos estão sendo instalados em residências, serviços, parques, escolas e unidades de saúde, permitindo monitorar as condições térmicas em diferentes contextos urbanos. As informações obtidas irão subsidiar ações de adaptação climática, como estratégias para melhorar o conforto térmico e diretrizes para a requalificação de parques e praças.

Ao coletar dados diretamente nos locais onde as pessoas vivem e trabalham, o projeto possibilita uma leitura mais precisa da cidade e a construção de soluções mais justas e eficazes para enfrentar o calor extremo.

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“Cada sensor instalado nos ajuda a entender como os fluxos de calor se manifestam em diferentes tipologias urbanas e regiões da cidade, e como isso pode ajudar nas ações infraestruturais de melhoria da saúde e do bem-estar. A ciência tem um papel central na adaptação climática, e estamos comprometidos em oferecer dados de alta acurácia para colaborar na elaboração de políticas públicas”, explica o professor titular do IAG/USP e coordenador científico da parceria com o SampaAdapta, Humberto Ribeiro da Rocha.

Sensores climáticos nas 5 regiões de São Paulo

Na etapa inicial, o SampaAdapta prevê a instalação de 25 sensores climáticos distribuídos pelas cinco regiões da cidade. Foram selecionados cinco territórios para compor a primeira fase da rede: Perus (Norte), M’Boi Mirim (Sul), Jardim Helena (Leste), Raposo Tavares (Oeste) e Brás (Centro). Em cada área, sensores internos e externos permitem a comparação de microclimas e a análise do comportamento do calor em diferentes ambientes.

A escolha dos locais seguiu critérios científicos e sociais, buscando ampliar a representatividade dos dados a partir de pontos estratégicos da cidade. Os sensores foram instalados em equipamentos públicos, edificações residenciais e de serviços, com a anuência voluntária dos proprietários e responsáveis pelos espaços.

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calor SP desidratação
Calor em SP. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

“Quando o projeto chegou até nós, entendemos na hora a importância de participar. Quem vive aqui sabe como o calor tem mudado a rotina. Se esses dados puderem ajudar a construir soluções para toda a cidade, estamos felizes em fazer parte desse cuidado”, explica Yago Santos, da Casa de Hip Hop de Perus, ocupação artística independente na zona norte da capital onde um dos equipamentos foi instalado.

Para a definição dos pontos de instalação, foram considerados fatores como histórico de temperatura da superfície entre 2017 e 2023, morfologia urbana, vulnerabilidade socioambiental, densidade populacional, presença de áreas verdes e equipamentos públicos, características construtivas dos bairros e o interesse de moradores e instituições.

Próximos passos do SampaAdapta

A partir de 2026, São Paulo participará de intercâmbios virtuais e presenciais com cidades que já implementaram experiências semelhantes, além de promover um ciclo de debates sobre calor extremo e medidas de conforto térmico urbano. O projeto também prevê a publicação de informes técnicos com critérios e parâmetros para priorização de áreas públicas, a divulgação das análises de dados climáticos e a elaboração de um guia para a constituição de uma rede de espaços públicos voltados ao conforto térmico da população.

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“O SampaAdapta é um exemplo poderoso de como as cidades podem traduzir a ciência do clima em políticas práticas, fortalecendo áreas verdes, orientando o planejamento urbano e ajudando a proteger as pessoas mais vulneráveis do calor extremo”, explica Pedro de Paula, diretor da Vital Strategies no Brasil.

Parceria por Cidades Saudáveis

A Parceria por Cidades Saudáveis é uma rede global de mais de 70 cidades comprometidas em salvar vidas por meio da prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e lesões. Apoiada pela Bloomberg Philanthropies, em parceria com a OMS e a organização global de saúde Vital Strategies, a iniciativa permite que cidades de todo o mundo implementem políticas públicas de alto impacto para reduzir DCNTs e lesões graves em suas comunidades.

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