O verão australiano nem começou e mais de 100 incêndios generalizados estão ocorrendo na costa leste da Austrália, sendo que 40 deles estão fora de controle. Até o momento, mais de um milhão de hectares foram queimados nas últimas semanas, tirando a vida de três pessoas, destruindo 170 casas e matando cerca de 350 coalas.

O chefe dos bombeiros classificou as condições de incêndio florestal, que se concentram nos estados de New South Wales (NSW) e Queensland, como “as mais perigosas que o país já viu”. Milhares de pessoas evacuaram casas e cidades inteiras que estavam no caminho dos incêndios.

Os incêndios estão ocorrendo numa época atípica devido à seca extrema que assola o país e que deixam florestas, pradarias e terras agrícolas ainda mais vulneráveis ao fogo. Com a chegada do verão seco australiano, a situação pode piorar ainda mais. “A catástrofe está fora da escala convencional”, disse o comissário dos bombeiros rurais de NSW, Shane Fitzsimmons. “Ainda temos o pior da nossa temporada de incêndios à nossa frente. Ainda não estamos no verão.”

Crise climática

A intensidade dos incêndios deste ano e o início precoce da temporada de queimadas desencadeou um forte debate político sobre o impacto das mudanças climáticas em aumentar a suscetibilidade ao fogo na Austrália.

Segundo o Guardian, o primeiro-ministro australiano Scott Morrison – cujo governo de coalizão conservador tem sido constantemente criticado por seu apoio às minas de carvão e usinas de energia, inação às mudanças climáticas e aumento das emissões de carbono no país -, se recusou a responder a perguntas sobre o agravamento dos incêndios. Porém, críticos argumentaram que os incêndios apresentavam a realidade do impacto da crise climática.

A reportagem do Guardian ainda relata que durante uma visita do primeiro-ministro a um local afetado pelo incêndio, um manifestante protestou: “A mudança climática é real. Você não vê?”. Logo após, foi escoltado para fora do prédio.

Devido às altas temperaturas com ventos secos e fortes para os próximos dias, o país está em alerta para as condições perigosas que estão por vir. Diversas cidades estão cobertas por uma nuvem de fumaça, aumentando os riscos de problemas respiratórios, principalmente em crianças.

Coala, um dos símbolos da Austrália

De acordo com a presidente da Koala Conservation Australia, Sue Ashton, estima-se que 350 coalas (0,5% de população existente) tenham morrido nos incêndios na Reserva Natural Lake Innes, um dos melhores habitats para os marsupiais do estado de NSW.

Diversos defensores da vida selvagem vasculham as principais áreas onde os coalas frequentam para tentar resgatá-los. Até agora, 16 foram encontrados e encaminhados para o Port Macquarie Koala Hospital onde recebem tratamento.

Os coalas são animais considerados “funcionalmente extintos”. Segundo a Australian Koala Foundation, só restam hoje na natureza cerca de 1% da população original.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.