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A produção de madeira em laboratório poderia poupar muitas árvores que são derrubadas, de forma legal ou ilegal. Foto: Pixabay

A ideia de reproduzir células de partes de organismos em laboratórios, sem a necessidade de comprometer todo o organismo no processo, já havia sido empregada por cientistas que criaram algumas proteínas em laboratório sem matar animais. Agora, este mesmo princípio está sendo usado por pesquisadores que querem produzir madeira em laboratório sem a necessidade de derrubar árvores.

Velásquez-García e sua equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts usaram uma folha de zinia e conseguiram reproduzir tecidos vegetais de forma seletiva, sem a necessidade de usar toda a planta no processo. Os pesquisadores publicaram um artigo onde afirmam que as células vegetais responderam bem à reprodução em laboratório o que pode levar, no futuro, à produção em grande escala de matérias como madeira e fibras vegetais, sem a necessidade de usar árvores inteiras.

Células produzidas em laboratório a partir da folha de zinia podem ser usadas para produzir madeira e fibras vegetais paraa indústria. Foto: MIT

Segundo os pesquisadores, o processo com as células vegetais é ainda mais simples do que o realizado por cientistas que criaram a “carne de laboratório”.

“O estudo ainda é muito recente e está na fase inicial, mas as conclusões apontam para a possibilidade de produção de matéria vegetal em laboratório. Os custos de produção em grande escala ainda vão ser estudados, mas podem ser interessantes pois sabemos que existe um custo elevado na produção e logística envolvendo a madeira”, destacaram os autores em seu artigo

Os cientistas ainda lembraram que para a produção de algumas fibras, apenas uma pequena parte das árvores são usadas, o que poderia mudar com a produção específica destes tecidos em laboratório.

Madeira para marcenaria

A estratégia de se cultivar células de árvores em formatos específicos, como peças retangulares também está sendo avaliada e, aparentemente, é simples. Esta possibilidade tem um custo benefício vantajoso e é mais viável em grande escala do que a produção de proteína em laboratório, já que as células vegetais são mais fáceis de se reproduzir nestas condições.

Co-autora do estudo, a engenheira Ph.DAshley Beckwith, explica que depender exclusivamente das florestas para a produção de madeira é um sistema ineficiente. “As árvores crescem em formatos cilíndricos e compridos e este formato raramente é usado pela indústria. Com isso, existe um desperdício de madeira no processo de corte, um desperdício de matéria que demorou anos sendo cultivada”.  

A madeira extraída de árvores muitas vezes não é totalmente aproveitada. Foto: Pixabay

Com a inovação pode ser possível cultivar matéria que seja 100% aproveitada como madeira ou fibra vegetal e que já seja produzida em formatos mais fáceis de se aproveitar pela indústria.

Isso ainda não acontece, mas o estudo aponta para uma produção onde é possível otimizar o material produzido e ainda reduzir as emissões de CO2, seja pela preservação das florestas e árvores cultivadas ou pela otimização na logística, dispensando o transporte, tratamento e adequação da madeira e fibras para seus mais diversos fins.

A produção madeireira envolve o uso de maquinário pesado, caminhões carregados circulando em estradas que muitas vezes são abertas para escoar o produto. Além disso, infelizmente, parte da madeira comercializada não vem de produção certificada, mas de desmatamento ilegal.