Um dispositivo que usa os raios solares para tornar potável a água de chuva. Esta é a proposta da brasileira Anna Luisa Santos que criou a tecnologia Aqualuz e acaba de vencer o Prêmio Jovens Campeões da Terra concedido anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A premiação global reconhece iniciativas de pessoas entre 18 e 30 anos.

Em áreas rurais, onde o acesso à água é precário e é de praxe a falta de saneamento, é comum os moradores usarem cisternas para captar a água que cai do céu. Mas para ter garantia total que esta água não terá contaminantes é preciso buscar soluções inteligentes e foi o que Anna Luisa fez ao criar o Aqualuz: um sistema de purificação e desinfecção de água por meio de radiação solar. O dispositivo possui um indicador que muda de cor quando o líquido está seguro para o consumo.

O sistema é de baixo custo e fácil manutenção. Basta limpar com água e sabão e trocar o filtro natural – com o estoque de refil já fornecido – que ele estará pronto para reuso. Além disso, tem a durabilidade estimada em cerca de 15 anos (podendo durar até 20) sem necessitar de intervenções externas. Considerando tudo isso, vale o investimento: o dispositivo custa cerca de R$480.

“Meu propósito é levar o direito básico à água limpa para as comunidades carentes nas áreas rurais”, afirma Anna Luisa. “Queremos ajudar a melhorar a vida das pessoas e salvar vidas”.

Foto: Divulgação
Foto: ONU Meio Ambiente
Foto: ONU Meio Ambiente

Já foram implantados mais de 35 unidades do Aqualuz em quatro estados do Semiárido, beneficiando 265 pessoas – objetivo é alcançar 700 até o fim deste ano. O projeto tem parceria com a Universidade Federal da Bahia e a Universidade Federal do Ceará.

Desenvolvimento da ideia

O projeto do filtro foi criado durante o programa Academic Working Capital (AWC) do Instituto TIM, que apoia o empreendedorismo universitário. Além de apoio financeiro para os estudantes desenvolverem suas ideias e soluções, o AWC oferece orientação técnica e de negócios. Anna Luísa fez parte da turma de 2018. “Seria impossível evoluir tanto em tão pouco tempo. O programa abriu portas incríveis e mesmo depois do término do nosso período de acompanhamento oficial, continuamos recebendo muito apoio. Os resultados de hoje são todos frutos do treinamento e do suporte financeiro que recebemos”, conta.

Premiação

Anna Luisa, com apenas 21 anos, venceu a premiação na América Latina e no Caribe. Ela é uma das sete vencedoras entre participantes da África, América do Norte, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, Europa e Ásia Ocidental.

Haverá uma Cerimônia dos Campeões da Terra em Nova York, no dia 26 de setembro, coincidindo com a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Cúpula de Ação Climática. Além de financiamento, eles receberão mentoria e apoio de comunicação para ampliar seus esforços.

“O mundo dos negócios precisa de ideias novas e de uma cultura de startups que enfrentem os desafios ambientais globais”, afirma Markus Steilemann, CEO da Covestro – empresa de polímeros que apoia globalmente a premiação.

No vídeo abaixo, Anna explica como funciona a tecnologia:

Dessalinizador solar

Além da desinfecção, a brasileira, por meio da startup SDW, também fornece um dessalinizador solar voltado para água salina ou salobra, que foi desenvolvido na Paraíba. Chamado de Aquasolina, ele consiste na remoção de sais dissolvidos na água a níveis ou concentrações que possibilitam a sua utilização. Seu funcionamento é realizado por meio de um destilador solar, que simula o processo natural de evaporação da água eliminando todos os sais.