A Casa Jaya é um espaço eco-cultural na cidade de São Paulo que além de oferecer uma intensa programação de cursos voltados para o bem-estar, possui restaurante e café veganos e guarda em seus bastidores um laboratório vivo e inovador de tecnologias sustentáveis.

O esforço na busca por se tornar um estabelecimento lixo zero, ou seja, um empreendimento que consiga transformar todo resíduo possível em fonte de energia ou matéria-prima, faz com que as iniciativas de cuidado estejam por toda parte da Casa.

O lixo gerado no estabelecimento é separado em 3 categorias: reciclável, rejeito e orgânico.

Os produtos da loja de artigos naturais e alguns itens de cozinha chegam em embalagens que são encaminhadas para a reciclagem. As toucas e luvas usadas também na cozinha, e o lixo dos banheiros são rejeitos que acabam tendo de ir mesmo para o aterro. E o orgânico, parte é formado por cascas ou pedaços de frutas, verduras e legumes não utilizados no preparo das refeições, e outra parte é composta pelo que é deixado no prato pelos clientes e o que não é consumido no buffet.

Os caminhos do orgânico

Da cozinha da Casa Jaya, são dispensados diariamente 50 quilos de alimentos. Para lidar com esse resíduo, o estabelecimento implantou dois sistemas: um biodigestor, equipamento que processa matéria orgânica, e um sistema de compostagem que armazena até oito mil litros de comida.

O biodigestor funciona como um minissistema de tratamento de esgoto ao mesmo tempo em que é também um gerador de energia. Além de receber as sobras da cozinha, são dispensados ali os dejetos humanos dos banheiros da casa. Parte de toda essa matéria orgânica vai virar gás para abastecer o fogão e outra parte segue já tratada para a rede de esgoto, sem riscos de contaminar os cursos d’água.

Como o gás dentro do biodigestor ainda está em processo de formação, vai levar alguns meses para que esse volume chegue até o ideal necessário para abastecer o fogão.

Segundo Julio Avanzo, um dos fundadores da Casa Jaya e especialista em permacultura, ambos os sistemas trazem benefícios financeiros para o estabelecimento. “Como a ideia é que o biodigestor produza 100% da demanda de gás da cozinha, estamos calculando uma economia de R$1.000,00 a R$1.500,00. E quanto ao sistema de compostagem, já estamos conseguindo produzir mais de uma tonelada de composto por mês que é revertido em desconto na compra de produtos orgânicos. Foi uma parceria que fizemos com um dos fornecedores, o Sítio Sampa”, explica.

Apesar dos esforços dos proprietários da Casa Jaya em lidar com todos os resíduos produzidos, investir num sistema que garanta a lida responsável com o resíduo orgânico não é um caminho nada fácil.

“No que diz respeito ao manejo do orgânico, por exemplo, a legislação exige que no máximo em 24 horas ele seja retirado do local. Por isso, os estabelecimentos precisam contratar um serviço terceirizado para coletar o lixo diariamente. Ao fazermos a compostagem, nós eliminamos essa etapa diária de transporte do orgânico para fora do restaurante, o que é positivo não só em relação à questão da sustentabilidade como também para a redução de mais um gasto”, explica Julio. “E para que seja possível fazer a compostagem, é preciso ter uma área destinada apenas para esse fim, o que em uma cidade como São Paulo não é algo muito fácil”, completa.

E os desafios não param por aí…

“Você precisa treinar o pessoal da cozinha para separar o lixo corretamente, precisa também de uma área para plantar árvores, que é de onde você vai tirar folhas e galhos pra colocar junto com o alimento no sistema de compostagem – nós, por exemplo, fizemos uma parceria com a Eletropaulo, que nos fornece matéria seca da poda urbana. Enfim, é preciso ter muita vontade para encarar todos os custos, exigências e seguir adiante”, explica Julio.

Mais vale duas fontes de água na mão do que a falta dela

“A permacultura tem um princípio que consiste em nunca depositar todos os ovos numa cesta só”, explica Julio Avanzo. Foi com base nesse princípio que a Casa Jaya implantou mais de um sistema tanto para o tratamento de resíduos como para a coleta de água da chuva.

“A gente sempre precisa de várias fontes pra suprir uma demanda. Se um dos sistemas implantados tem algum problema e precisa de uma manutenção, se eu não tiver outro sistema funcionando, eu fico com um grande problema”, completa Julio.

Por isso, além de contar com a rede pública de abastecimento, a Casa Jaya também tem um sistema de coleta de água da chuva que é utilizada para fins não potáveis. Essa água passa por uma filtragem e, além de abastecer todas as caixas de descarga acopladas às privadas nos banheiros, é utilizada para a rega e lavagem do jardim.

Ainda sobre a água, uma das últimas tecnologias sustentáveis implantadas é o piso drenante, que faz com que a água desapareça assim que ela chega no chão. A tecnologia desse piso faz com que a água seja absorvida e vá direto para o lençol freático, contribuindo assim com a rede de esgoto, que não tem capacidade para suportar todo o volume gerado pelas chuvas.

Repassando conhecimento

Com o objetivo de compartilhar as tecnologias que fazem da Casa Jaya um estabelecimento comprometido com o descarte correto de seus resíduos, o espaço é aberto para escolas e grupos que queiram visitar e conhecer todas as iniciativas desenvolvidas.

No fundo da Casa, um minhocário e uma horta são mantidos para fins educacionais. O composto orgânico produzido no minhocário abastece a horta que, eventualmente, fornece um ou outro tempero para a cozinha.

Quem quiser retirar composto ou biofertilizante na Casa Jaya, é só entrar em contato.

SERVIÇO

Espaço Eco-Cultural Casa Jaya

Rua Capote Valente, 305, Pinheiros, São Paulo

De Segunda a Sexta, das 11h30 às 22h

Sábados das 12h às 22h

(11) 2935-6987

www.casajaya.com.br

*Crédito das fotos: Camila Doretto / CicloVivo

Comunicadora, nativa da Mata Atlântica, com formação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e que trabalha pelo acesso à produção de comunicação como direito. Adora dormir em rede, no meio da floresta, tem especialização em Educomunicação e sonha em cruzar com uma onça na Amazônia. Vive em busca de um curso d’água que venha acompanhado de uma boa porção de gente sábia, admirável e que tem tanto a dizer e ensinar.