A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou, no final de julho, anúncios publicitários em defesa da geração de energia no país através das hidrelétricas. Duas semanas depois, foi a vez de o Greenpeace rebater os argumentos, mostrando que a opção não é tão vantajosa quanto parece.

Por meio de um gráfico, o anúncio da Fiesp mostrou que o custo da hidrelétrica é de R$ 85/MWh, sendo menor do que as demais fontes energéticas. “Além de não contabilizar o custo real para as pessoas, a biodiversidade e o clima, a conta da Fiesp não considera que, quando há incentivo, outras fontes ficam igualmente competitivas”, afirma o Greenpeace. A ONG ambiental usou, como exemplo, o caso da energia eólica, que vem barateando nos últimos anos.

Com o título “Hidrelétrica com reservatório”, o texto da Fiesp também defende a questão da segurança. De acordo com a instituição, esse quesito seria garantido com o armazenamento de água nos reservatórios. Entretanto, como afirma o Greenpeace, as hidrelétricas até hoje não conseguiram resolver o problema da seca. Ainda há, também, os conflitos gerados pelas barragens na Amazônia.

“A Fiesp defende as hidroelétricas com reservatórios, dentre  as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, pois é a única fonte que combina segurança, preço módico, baixa emissão de gases de efeito estufa e que o Brasil domina a tecnologia”, diz Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura da entidade.

A afirmação foi dada em discurso de abertura do 14º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, realizado na última segunda-feira (5). O evento, que termina nesta terça (6), reúne fornecedores e produtores para discutir o futuro energético do Brasil. O encontro também conta com a presença de Ricardo Baitelo, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. Ele é engenheiro elétrico, doutor em Planejamento Integrado, e defende a diversificação de fontes alternativas.

“Reconhecemos a importância das hidrelétricas com reservatório que já foram construídas, mas antes de voltar a pensar nelas, o Brasil pode e deve investir em outras fontes renováveis, diversificando a nossa matriz energética e gerando menos impactos socioambientais. Essa é a verdadeira solução para garantirmos energia constante, segura e afastarmos o risco de apagões no país”, explica Baitelo.

A informação de que o custo da hidrelétrica é de R$ 85/MWh é contestada também pelo Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina). A organização não governamental, do Rio de Janeiro, reproduziu o anúncio da Fiesp e criticou-o. “Esse número só tem alguma relação com a realidade se deixarmos bem claro que essa ‘média’ inclui usinas que recebem apenas R$ 6/MWh. A bem da verdade, não há a mínima possibilidade de que esse preço seja representativo de leilões de energia nova, o que pode ser verificado em dados da Câmara de Comercialização de Energia”, afirma o Instituto.

Veja aqui o “anúncio-paródia” do Greenpeace.

O vídeo abaixo mostra os custos das fontes energéticas de acordo com a Fiesp:

Redação CicloVivo

 

 

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.