A pauta do uso excessivo de embalagens, como plástico e isopor, tem sido bastante frequente, principalmente quando se fala do setor de hortifrúti, que a cada ano vem recheando as prateleiras (e os lixões) de bandejas de poliestireno expandido (isopor), plástico filme e embalagens plásticas rígidas.

No Brasil, segundo dados do Banco Mundial, mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto. Outros 7,7 milhões de toneladas são destinadas a aterros sanitários. E mais de 1 milhão de toneladas sequer são recolhidas pelos sistemas de coleta.

Pensando em amenizar este impacto ambiental, o GPA, controlador das bandeiras Extra e Pão de Açúcar, anunciou que vai substituir 100% de suas bandejas de isopor utilizadas em produtos hortifrúti (frutas, verduras e legumes) Taeq e Qualitá para uma solução 100% biodegradável. A mudança começa em maio de 2019 e deve ser concluída em um ano.

A nova embalagem, produzida a partir de uma tecnologia da Tamoios Tecnologia, é desenvolvida com caixas de celulose e amido. Elas são 100% livres de petroquímicos e aditivos tóxicos e totalmente biodegradáveis. Ao ser descartada, a nova embalagem leva até seis meses para ser totalmente degradada, diminuindo assim, o descarte de resíduos. As bandejas substituem às feitas de isopor (poliestireno expandido), PVC, PET e outros plásticos – mensalmente, 600 mil bandejas delas eram utilizadas por Taeq e Qualitá em todo o país.

A mudança começa a ser implantada em maio nos itens orgânicos Taeq comercializados nas redes Extra (super, hiper e Mini Extra) e Pão de Açúcar (supermercado e Minuto) do estado de São Paulo, além dos respectivos e-commerces. A expectativa é que, após a avaliação do uso inicial da tecnologia, a substituição aconteça também nos demais estados do país e inclua os itens Qualitá. Até maio de 2020, portanto, todas as bandejas de frutas, verduras, legumes e ovos das marcas Qualitá e Taeq serão feitas com a nova tecnologia.

O problema do isopor

O isopor é um material que, em razão de sua composição (98% de ar e 2% de plástico) é pouco aproveitado para a reciclagem e inclusive já possui restrições ao seu uso em alguns lugares do mundo, como em Nova York, Vancouver, Jamaica e Fernando de Noronha.

Se descartado incorretamente no meio ambiente, provoca diversos prejuízos, tanto se queimado (emitindo gases tóxicos e poluentes) como quando descartado, levando centenas de anos para se decompor, se quebrando em micropartículas que contaminam o solo e os recursos hídricos. O material contribui fortemente para a chamada “sopa-plástica” que flutua nos oceanos e vai parar em diversas correntes, praias e ilhas do litoral, sendo frequentemente ingeridos por aves e animais marinhos.

Repensando embalagens

O grupo também anunciou que sua linhas de ovos de galinha, antes comercializadas em bandejas plásticas, serão migrados para a mesma solução da embalagem de caixa de celulose com amido. Já a segunda novidade será para as bananas orgânicas do grupo, que passarão a ser vendidas em uma cinta que garante suas especificações e a legislação de orgânicos, porém, consumindo menos embalagem.

“Começaremos com nossas marcas exclusivas e esperamos que isso sensibilize e estimule a adesão de demais marcas e produtores para a substituição de suas embalagens por opções biodegradáveis”, comenta Susy Yoshimura, diretora de sustentabilidade do grupo.

Outras ideias

O CicloVivo já mostrou algumas outras soluções para o setor, como é o caso da rede supermercado tailandesa que trocou o plástico por folhas de bananeira e  uma outra neozelandêsa que simplesmente aboliu embalagens no setor de hortifrúti.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.