Por onde quer que andemos as garrafinhas de água, canudos, embalagens de lanchonetes, saquinhos de salgadinho e bitucas de cigarro estão lá: espalhadas em nossas ruas, praças, parques e córregos. Isso é tão corriqueiro que a maioria das pessoas simplesmente já aceitou esta situação, que parece fora do controle. Mas este não é o caso da fisioterapeuta Maura Rigoldi da Rocha, moradora da cidade de Piracicaba, no interior do estado de São Paulo. 

Maura costumava fazer caminhadas dentro do Campus de uma universidade pública próxima de sua casa. No entanto, a fisioterapeuta começou a ficar incomodada com a quantidade de resíduos jogados nesse pequeno trajeto e então decidiu começar a levar saquinhos para recolher os resíduos ao longo do seu caminho.

Como é muito engajada e acompanha diversas páginas de sustentabilidade, Maura descobriu em 2018 o plogging, esporte criado por um ambientalista sueco que significa correr ou caminhar enquanto coleta resíduos jogados na rua. Ela então decidiu praticar a atividade nos arredores do seu bairro mais preparada, levando consigo luvas mais resistentes e sacos ainda maiores. “Infelizmente não conseguia correr, só caminhar mesmo pela quantidade de lixo”, disse Maura em entrevista ao CicloVivo.

Maura, a idealizadora do projeto | Foto: Divulgação

Foi inspirada no conceito sueco que ela desenvolveu um projeto para impactar muito mais pessoas em sua cidade, o Pira no Plogging. Aos poucos, as ações de Maura, que criou perfil para sua iniciativa no Facebook e no Instagram, foram ganhando novos adeptos e também chamando a atenção da população. “Muitos me param para me parabenizar ou falam que também têm feito a mesma coisa. Algumas pessoas me enviam fotos dizendo que começaram a fazer a mesma ação em suas cidades depois que viram o Pira no Plogging. Se eu conseguir mobilizar uma pessoa que seja, já fico feliz!”

A fisioterapeuta conta que alguns amigos também abraçaram a causa, virando um grupo com o mesmo objetivo. Eles até conseguiram novos parceiros para alavancar o movimento por meio da realização de eventos pela cidade que unem ações socioambientais à prática de atividade física. Todo apoio é bem-vindo, mas ela deixa claro que a intenção principal do movimento é que a população adquira esse hábito no seu dia a dia.

Voluntários participantes do movimento | Foto: Helder Prado

Iniciativas públicas

E as ações do movimento não são restritas à atitude de recolher o lixo. O Pira no Plogging tem ouvido a população da cidade e levado suas reclamações e ideias para a Secretaria do Meio Ambiente da cidade de Piracicaba, bem como vereadores e outros tomadores de decisões, para que, além da conscientização popular, haja também iniciativas públicas de melhoria da limpeza urbana e de outras questões ligadas à temática. “Estamos esperançosos de poder melhorar nossa cidade!”

Grupo limpando a orla do Rio Piracicaba | Foto: Divulgação

Se a ideia é inspirar e incentivar a mudança, o grupo parece estar no caminho certo. Numa ação, realizada em abril, foram recolhidos 840 kg de resíduos que posteriormente viraram geração energética. “Tivemos a parceria da Fenix Soluções Ambientais que levou o lixo recolhido para uma empresa para que esse resíduo pudesse ser utilizado como energia. Também demos uma palestra para os jovens aprendizes do Instituto Formar aqui de Piracicaba sobre o plogging e a importância da prática de atividade física e a consciência ambiental. Eles também começaram a fazer o plogging”, conta Maura.

Sobre aqueles que acreditam que recolher o lixo na rua é como “enxugar gelo”, Maura diz: “É um trabalho de formiguinha mesmo. Limpo num dia e no outro está tudo sujo novamente. Mas eu persisto, pois pelo menos sei que aquele dia que eu recolhi, menos lixo ficou espalhado pela rua, em canteiros, na mata ou no Rio Piracicaba.” 

Saiba mais sobre essa iniciativa:

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Trashtag: O desafio que está fazendo as pessoas recolherem lixo

Saiba mais sobre o plogging:

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.