Moradores de Gaza cultivam hortas no telhado para sobreviverem

Por causa de um bloqueio israelense, que inibe o comércio internacional, os palestinos precisam inovar e buscar soluções para sobreviver

O que você sabe sobre Gaza? Com certeza você já leu muitas notícias sobre os conflitos religiosos e políticos entre palestinos e israelenses que são travados na região. E é por causa desta situação, que se arrasta ano após ano, que mais de dois milhões de moradores da cidade sofrem pela falta de acesso a itens básicos. É aí que entra o cultivo em telhados, que tem ajudado a abastecer muitas famílias.

Por causa de um bloqueio israelense, que inibe o comércio internacional, os palestinos precisam inovar e buscar soluções para sobreviverem com os recursos disponíveis. Entre as ideias que funcionam está um projeto de agricultura urbana implantando pela ONU há sete anos. Ele permite que mais de 200 famílias mantenham um sistema de cultivo baseado no aquapônico.

Esse sistema, que pode ser desenvolvido até em varandas de apartamento, é composto por um tanque no qual são criados peixes e cultivados hortaliças. Os peixes liberam dejetos ricos em nutrientes que, por sua vez, bombeados para uma parte superior, nutrem os vegetais. As raízes, ao retirar os nutrientes, purificam a água que retorna por gravidade para o local onde são produzidos os peixes. Este é o exemplo de aquaponia comum, porém o modelo projetado e construído por palestinos foi adaptado e envolve plástico reciclado e madeira – que é usada para criar “camas de jardim” onde são então plantadas sementes de agricultores locais.

As hortas urbanas de Gaza têm ajudado a atender às necessidades de uma população cada vez mais ameaçada pela insegurança alimentar. “A agricultura na cobertura capacita as pessoas. Isso lhes permite encontrar formas eficazes de enfrentar problemas ambientais e ajuda a criar uma população mais saudável”, afirma Ahmad Saleh, consultor agrícola, ex-professor e organizador da comunidade que está ajudando a promover a agricultura urbana em Gaza. Ele ainda cita que os jardins comestíveis são considerados por alguns como ponto de encontro, para lazer e recreação, uma vez que tais lugares têm ficado escassos devido à falta de eletricidade.

Redação CicloVivo