O mercado de doações para caridade movimenta cerca de US$3tri por ano pelo menos. Mas no Brasil ainda há um caminho a percorrer para que se tenha uma cultura da doação. Segundo a edição 2019 do World Giving Index, o Brasil está na 74° posição em um ranking de 126 países onde foram medidos o grau de solidariedade de cada população.

O cenário foi visto como oportunidade pela Ribon. A startup com foco em tecnologia para impacto social desenvolveu uma plataforma em que qualquer pessoa pode realizar uma doação para causas sociais pelo mundo. E o que é melhor: sem precisar desembolsar um centavo por isso.

Histórias positivas

Ao baixar o aplicativo, o usuário tem acesso a histórias selecionadas pela curadoria da Ribon. O foco é compartilhar apenas notícias positivas e atitudes que podem melhorar o mundo. Cada texto acessado vem acompanhado por um pacote de 100 “ribons”, moeda utilizada dentro do app para que os usuários façam suas doações para as causas disponíveis na plataforma.

Qualquer pessoa pode doar para quantas causas quiser desde que haja um saldo de ribons acumulados na sua conta nesta estratégia de gamificação. 

O fato do usuário não precisar desembolsar dinheiro para fazer uma doação é possível graças ao patrocínio institucional de empresas apoiadoras da Ribon como a Visa, Bancorbrás – Banco de Turismo e a Malwee. Os valores que cada causa recebe são decididos pelos usuários por meio das quantidades de ribons doados.

Estes são convertidos em dinheiro e o valor é transferido para ONG’s parceiras da The Life You Can Save, uma organização internacional que avalia e certifica os projetos mais eficientes do mundo. 

Fazer mais com menos 

De acordo com o Rafael Rodeiro, fundador e CEO da Ribon, ao dar os primeiros passos de seu empreendimento social, houve uma preocupação em colocar em prática o conceito de “altruísmo eficaz” para escolher os projetos beneficiados.

“É a nossa linha de trabalho que embasa todo o processo de doação. Neste ramo é preciso que os envolvidos consigam fazer mais coisas com menos recursos, de forma que atinjam um maior número de pessoas”, esclarece Rafael.  

Quem tem o aplicativo Ribon no celular consegue consultar também o comprovante das doações encaminhadas pras ONGs. Bimestralmente uma notificação é enviada pela equipe da startup com um relatório completo de todo o impacto gerado pelos ribons doados.

Para se ter uma ideia, os 900 milhões de ribons doados pelos usuários da plataforma já proporcionaram uma estimativa de 107 anos de água potável, 162 anos de medicamentos, 338 anos de fortificação alimentar e 80 anos de saúde básica para uma comunidade de 100 pessoas.

Projetos beneficiados 

Quatro ONGs  foram selecionadas para receberem as doações da Ribon.

A primeira delas é a Evidence Action, que com apenas US$1,28 consegue garantir até três dias de água potável e com isso consegue salvar, por ano, 525.000 crianças de até três anos de morte por diarreia em áreas pobres.

A segunda é a SCI (Schistosomiasis Control Initiative) da Imperial College de Londres que desenvolve um trabalho de controle de esquistossomose em países da África Subsaariana. Desde 2002, arrecada doações e conseguiu viabilizar mais de 200 milhões de tratamentos contra a doença e promoveu iniciativas que reduziram as infecções em 60%.

Já a PHC (Project Healthy Children) trabalha com foco em fortificação alimentar visto que as deficiências de micronutrientes como vitaminas e minerais podem causar déficit intelectual em crianças e graves consequências em gestantes. Desde 2001 já ajudou 55 milhões de pessoas e a meta é usar de tecnologia para chegar a marca de 100 milhões.

E por fim, a Living Goods que usa tecnologia e recursos humanos qualificados para montar sistemas de saúde comunitários sustentáveis em escala em países como Uganda, Quênia e Mianmar.