mostra ecofalante
Resplendor

Ditadura militar remete à repressão, tortura, perda do direito de livre expressão. Filmes e documentários trazem relatos chocantes de quem sentiu na pele os horrores deste período da história do Brasil.

O fato é que a ditadura afetou a todos, ainda que não da mesma forma. Um país tão plural necessita urgentemente abrir espaço para que mais vozes sejam ouvidas em suas produções cinematográficas. Esta é uma das razões pela qual o filme Resplendor é tão interessante.

Com direção e roteiro de Claudia Nunes e Erico Rassi, o documentário traz a história do centro de detenção indígena, na cidade de Resplendor, Minas Gerais, chamado inicialmente de Reformatório Krenak. No local, foram aprisionados e torturados indígenas de diversas etnias, sobretudo os povos Krenak.

Vadiagem, consumo de álcool ou comportamento agressivo? Motivos suficientes para ser preso sob tempo indeterminado, sem permissão para receber visitas e proibido de falar a própria língua.

O documentário se apoia em entrevistas, vídeos e matérias jornalísticas para contextualizar as ideias da época – o indígena como uma “espécie” a ser civilizada e assimilada.

Essa negação da identidade dos povos culmina, entre outros efeitos, em medo de expressar sua língua, costumes, cantos e vestimentas. Uma posição que será ainda repassada aos filhos e netos, afetando toda a cultura de um povo.

Ao jogar luz em como funcionava esse verdadeiro “campo de concentração indígena”, o documentário nos ajuda a conhecer um pouquinho mais da nossa história. Quem sabe assim criar maior empatia para com as reivindicações dos povos originários tão constantemente ameaçados. Certamente também traz a indagação de quantas histórias ainda não foram contadas.

Lançado em 2019, o documentário Resplendor integra a Mostra Ecofalante e pode ser assistido online e de graça nesta quinta-feira (20) e também nos dias 29, 30 e 31 de agosto. O filme está concorrendo à Competição Latino-Americana e, por isso, ao final você pode dar sua nota.