Um centro comunitário em uma aldeia costeira na praia de Camburi, Ubatuba, foi construído em 2006 com a ajuda da ONG belga Bamboostic em cooperação com o escritório CRU! Architects e apoio financeiro de instituições belgas. Localizado na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, o centro tem sido um grande sucesso desde então, com a criação de uma escola de surf e música, bem como uma sala de informática e um local para as associações locais se reunirem e realizarem vários eventos.

Uma das missões da organização Bamboostic, além de melhorar a infraestrutura do bairro, era treinar as pessoas da aldeia para se tornarem construtores de bambu a fim de potencialmente encontrar empregos na região. Hoje, os homens treinados são frequentemente contratados para construir estruturas de bambu nas cidades e vilas vizinhas.

Foto: Nelson Kon

Padaria e cozinha comunitária

Em 2016, a comunidade de Camburi sinalizou à ONG a intenção de construir uma padaria e uma cozinha comunitária para criar empregos para as mulheres da aldeia e promover pratos locais saudáveis ​​dentro da comunidade e para os visitantes sazonais. Foi quando a Bamboostic enviou uma equipe para criar e desenvolver o projeto na comunidade.

Reintje Jacobs, uma jovem arquiteta belga, foi a responsável por projetar e liderar a construção da nova padaria comunitária, construída ao lado do centro comunitário existente. “Depois de fazer as pesquisas e preparações necessárias, fui para o Brasil em 2017. Juntamente com uma equipe de construtores locais já treinados”, disse a arquiteta em entrevista ao CicloVivo. Os arquitetos da CRU!, especializados em estruturas em bambu, ajudaram a detalhar o projeto da padaria.

Foto: Nelson Kon

Reintje, que já tinha experiência em arquitetura vernacular e em técnicas naturais de construção, optou por utilizar materiais como o bambu e a terra batida (taipa de pilão), ambos de origem local, para as paredes.

“Escolhemos usar bambu e terra como nossos principais materiais de construção porque é barato, disponível localmente e menos prejudicial para o meio ambiente do que blocos de madeira e cimento, que tentamos usar o mínimo possível na construção,” relatou Reintje. “O bambu realmente tem uma força comparável ao aço, mas é muito mais fácil de manusear, cresce rápido e faz muito mais sentido usar em um lugar que tem bambu em abundância!”

A padaria foi construída por uma equipe de construtores experientes da comunidade com alguns jovens locais que foram treinados durante o processo. Sven Mouton, da CRU! Architects, que vive agora no Brasil, está trabalhando em um PHD em bambu e ajuda o time de Camburi a conseguir empregos em seus projetos focados no uso de bambu e terra.

A obra da padaria foi concluída no início de 2018 e já está aberta para negócios, sendo administrada por uma associação de mulheres da comunidade.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.