- Publicidade -

Pós-COP30: quando a ação climática passa de promessa a estratégia

Para Cinthia Gherardi, co-CEO do Sistema B Brasil, a implementação consistente da agenda climática nas empresas é um legado da COP30

encontro sistema B na Amazônia
Encontro do Sistema B, durante a COP30. Foto: Ana Lu Rocha

O que falta para que o Acordo de Paris seja alcançado? A COP30, que reuniu lideranças do mundo todo em Belém do Pará no ano passado, mostrou uma nova perspectiva: não faltam compromissos climáticos e muito menos soluções. O que falta é um olhar estratégico para que as soluções existentes sejam implementadas de forma integrada nos negócios.

- Publicidade -

Nos últimos anos, empresas de diferentes setores anunciaram metas ambiciosas de redução de emissões. No entanto, o que está em jogo não é mais o anúncio dessas metas, e sim a capacidade real de executá-las e de reconhecer o valor agregado na implementação de um plano de transição climática justa.

Esse movimento marca uma mudança importante na forma como a agenda climática é percebida. Muitos ainda encaram as metas climáticas como ambições de longo prazo necessárias do ponto de vista reputacional e restritas a um plano de redução de emissões. Essa visão revela não apenas uma compreensão limitada da agenda, mas também a ausência de um compromisso efetivo com a ação climática, além do desconhecimento das vantagens competitivas que um plano bem estruturado pode gerar para a organização.

- Publicidade -
energia solar barato
Foto: Freepik

De acordo com PwC, a maioria das empresas já possui metas relacionadas à sustentabilidade, mas menos da metade consegue integrá-las à estratégia e à operação no dia a dia, evidenciando a distância latente entre intenção e execução. Nesse contexto, ganha força o debate sobre como sair do campo das promessas e avançar na implementação, e, principalmente, quais caminhos concretos as empresas têm para fazer essa transição.

Um plano climático bem-sucedido exige das empresas práticas de governança estruturadas e a compreensão de que tudo o que envolve natureza e sociedade, de alguma forma, está conectado ao clima. Com esta provocação em mente voltamos pra pergunta inicial.

- Publicidade -

O atendimento das metas climáticas se desdobra nas decisões que as empresas passam a tomar a partir do momento que assumem compromissos, e no quanto essas decisões conseguem, de fato, transformar a forma como os negócios operam. É isso que entendemos por governança climática: a incorporação estruturada da agenda nos mais altos níveis de decisão, conectando estratégia, gestão de riscos e oportunidades, além de mecanismos consistentes de mensuração e transparência.

Essa abordagem se materializa de forma transversal nos novos Padrões da Certificação como Empresa B, evidenciando que a agenda climática não é um tema isolado, mas um elemento que permeia toda a operação e orienta uma transformação sistêmica dos negócios, com responsabilidade ampliada sobre a cadeia de valor e os impactos gerados na sociedade.

Evidências recentes reforçam a relevância dessa abordagem. Um estudo do B Lab com base em simulações do En-ROADS, desenvolvido pela MIT Sloan School of Management em parceria com a Climate Interactive, indica que, se todas as empresas no mundo adotassem critérios e práticas semelhantes aos das Empresas B, seria possível reduzir o aquecimento do planeta em até 0,5°C até o fim do século, com impactos significativos na redução de riscos climáticos e sociais.

- Publicidade -
encontro sistema B
Encontro Desenhando 2030, realizado na Ilha do Combu, durante a COP30. Foto: Aislan de Paula | Sistema B Brasil

Mais do que diretrizes, os Padrões B funcionam como ferramentas práticas para que empresas consigam transformar intenção em ação. Eles ajudam a traduzir compromissos amplos em metas claras, indicadores e decisões concretas no dia a dia da operação, organizadas em sete tópicos de impacto: governança de propósito e stakeholders; ação climática; justiça; equidade; diversidade e inclusão (JEDI); direitos humanos; trabalho justo; gestão ambiental e regeneração; e ação coletiva.

Compreender a agenda climática sob a lente dos sete tópicos dos novos padrões exige uma mudança de mentalidade e uma visão sistêmica da atuação empresarial. Isso implica incorporar o tema à tomada de decisão e à estratégia, avançar na mensuração de impactos e na construção de planos de mitigação, fortalecer a relação com pessoas e territórios mais vulneráveis, promover direitos humanos, qualificar a gestão de recursos naturais e impactos ambientais, fomentar a sociobioeconomia e modelos regenerativos, engajar a cadeia de valor e atuar de forma coordenada para influenciar mudanças estruturais.

economia circular
Imagem: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Por meio desta perspectiva, a agenda climática deixa de ser um tema adjacente e passa a influenciar decisões centrais, como investimento, inovação e crescimento. Mais do que atender a uma expectativa do mercado, trata-se de construir modelos mais resilientes em um contexto cada vez mais desafiador e instável.

- Publicidade -

O que se observa agora é uma mudança de estágio. A discussão sobre o “porquê” agir já foi feita. A questão que se coloca é como fazer e com qual nível de profundidade e consistência.

A COP30 deixa como legado esse chamado à implementação. O desafio não é mais definir o caminho, mas percorrê-lo com consistência. Porque, no fim, a diferença entre discurso e transformação está na capacidade de colocar o plano em prática. Seguiremos promovendo caminhos para a transição climática justa e trazendo, nos próximos artigos, exemplos concretos de como os Padrões B podem contribuir de forma estratégica para a gestão empresarial.

Artigo enviado por Por Cinthia Gherardi, co-CEO do Sistema B Brasil

- Publicidade -
Cinthia Gherardi
Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo.