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História de Marechal Rondon vira livro de Ciça e Ziraldo

O livro infanto-juvenil Rondon Menino Cândido conta a história do militar que foi pioneiro na defesa dos povos indígenas do Brasil

livro marechal rondon Ciça e Ziraldo
Imagens: Documenta Pantanal e Instituto Ziraldo

Em Rondon Menino Cândido, dois dos maiores nomes da literatura infanto-juvenil brasileira apresentam ao público jovem a história do marechal Cândido Mariano Rondon (1865-1958). O livro, uma parceria entre o Documenta Pantanal e o Instituto Ziraldo, foi lançado em junho e tem como autores Ciça Alves Pinto, autora de 28 livros infantis, e Ziraldo um dos mais premiados artistas gráficos do país, que faleceu em 2024.

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Escrito em 2016, originalmente para ser distribuído entre professores da rede pública de Rondônia, o livro ganha agora sua primeira edição comercial.

Rondon Menino Cândido conta a infância pantaneira de Cândido Mariano e as aventuras que marcam o início do trajeto de realizações que lhe renderia a inscrição no livro dos heróis da pátria.

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“Morrer se preciso for; matar, nunca”

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Imagem: Reprodução | Rondon Menino Cândido

A publicação tem como foco a infância do militar mato-grossense que, que comandou a implantação de linhas telegráficas pelo Centro-oeste, mapeou o Pantanal e parte da Amazônia e demarcou as fronteiras do país, além de ter sido pioneiro na defesa dos direitos dos povos indígenas, sobretudo às suas terras.

Rondon se tornou conhecido pela política de não-agressão que guiava suas incursões por territórios habitados por povos como bororo e paresi – sua frase mais conhecida é “Morrer se preciso for; matar, nunca”.

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O militar foi responsável pela criação do Serviço de Proteção ao Índio, em 1910, e tornou-se uma referência para nomes como Darcy Ribeiro e os irmãos Orlando, Claudio e Leonardo Villas-Bôas, com quem lutou pela criação do Parque Nacional do Xingu, primeira terra indígena homologada pelo governo do país.

marechal rondon indígena bororo
Descendente dos Bororos, conversa com Rondon na sua língua nativa. Foto: Heinz Foenthmann | O Cruzeiro | Arquivo EM – S/D

A realização é do Documenta Pantanal, iniciativa que, desde 2019, fomenta e viabiliza filmes, livros, exposições e ações internacionais voltadas a construir a memória do bioma, divulgar suas riquezas e alertar sobre as ameaças que sofre. Para Mônica Guimarães, que coordena o Documenta ao lado de Teresa Bracher, a intenção é que o livro infanto-juvenil ajude a sanar uma lacuna. “É triste constatar que até nos estados pantaneiros, onde o marechal Rondon nasceu, sua figura e sua importância são tão pouco conhecidas dos jovens”, afirma.

“Para mim, Rondon e o Pantanal são parte não só da história e da geografia do país, mas principalmente do coração do Brasil”, diz a autora.

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livro marechal rondon
Imagens: Reprodução | Rondon Menino Cândido

Ciça, cartunista pioneira que se dedica à literatura para crianças desde os anos 1980. Para ela, a ideia do livro é ampliar o contato do público infantil e infanto-juvenil com a história “desse grande herói brasileiro” e trazer o olhar dos jovens leitores para a beleza do Pantanal, palco da história do marechal.

No intuito de facilitar o acesso de novos públicos à história de Rondon, a edição inclui uma série de conteúdos adicionais, que contextualizam transformações políticas relevantes para o trajeto do marechal, como a Guerra do Paraguai e o projeto de unificação territorial da República, explicam a relação entre Rondon e o estado que ganhou seu nome, e falam dos contatos que ele estabeleceu com etnias como os temidos nambiquara – e que lhe valeram uma indicação para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz em 1957. Um glossário explica termos, personagens e eventos históricos mencionados no texto.

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Imagem: Reprodução | Rondon Menino Cândido

Rondon Menino Cândido está à venda no site do Documenta Pantanalpor R$ 70.

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Os autores

Ciça e Ziraldo
Foto: Divulgação

Ciça, ou Cecília Alves Pinto, é ilustradora e autora de livros infantis. Nos anos 1960, trabalhou como jornalista, produzindo reportagens para a revista O Cruzeiro, e publicou contos na revista Cigarra. Entre 1967 e 1985, publicou diariamente na Folha Ilustrada a tira O Pato, uma das poucas de produção nacional a figurar nos jornais da época. Usando patos, galinhas e outros animais para representar brasileiros comuns em situações do dia a dia e formigas para retratar políticos e militares, a autora conseguia falar de questões como inflação e pobreza sem incorrer na censura da ditadura militar brasileira então vigente. As tiras também apareceram no Jornal dos Sports, na revista Realidade, em O Pasquim e no Jornal do Brasil. Foram reunidas nos livros O Pato (1978) e O Pato no Formigueiro (1979), ambos da editora Codecri, e, mais tarde, em Pagando o Pato (1986), da Circo, reeditado pela LP&M em 2006.

Desde antes de mudar-se com o marido, o também desenhista e cartunista Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo, para Nova York, onde viveu sete anos, Ciça se dedica sobretudo a escrever livros infantis e infanto-juvenis. Publicou 28 títulos, por editoras como Melhoramentos, FTD, Nova Fronteira, Global, Globo e Batel. Teve três livros publicados no exterior, como Passeio (Nova Fronteira, 2015), traduzido para o espanhol, e dois da série Mamãe me levou… (Batel, 2011), traduzidos para o inglês. A maioria de seus livros foi ilustrada por Zélio Alves Pinto, e alguns deles, como Travatrovas e Quebralíngua (Nova Fronteira, 1993 e 2012), Bichos, bicho! (FTD, 2018) e A turma do Bixuxujo (Globo, 2011), por Ziraldo.

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Imagens: Reprodução | Rondon Menino Cândido

Ziraldo Alves Pinto, nascido em 1932 em Caratinga (MG), foi um jornalista, escritor, pensador, cartunista, caricaturista, artista gráfico, ilustrador, humorista e ambientalista de primeira hora. Publicou seu primeiro desenho aos 6 anos de idade, no jornal A Folha de Minas. Aos 12, começou a desenhar histórias em quadrinhos. Em 1948, mudou-se para o Rio de Janeiro levando seu caderno de desenho. Levaria doze anos para realizar o sonho de tornar-se autor de quadrinhos: em 1960, lançou a revista Pererê, com temáticas socioambientais relevantes até hoje. Por quatro anos, ela circulou em todo o Brasil, chegando a tiragens mensais de 120 mil exemplares. Nos anos 1970, seria relançada como A Turma do Pererê.

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Durante a ditadura militar brasileira, entre os anos 1960 e 1970, Ziraldo teve forte atuação política e foi um dos fundadores do irreverente periódico O Pasquim. Suas caricaturas e charges, que refletiram a indignação de inúmeros brasileiros, espalharam-se por vários jornais brasileiros. Em 1969, lançou seu primeiro livro para crianças, Flicts, a história poética de uma cor sem lugar no mundo. O livro foi presenteado ao primeiro astronauta a pisar a Lua, o estadunidense Neil Armstrong, ganhou edições em vários países e vendeu mais de 500 mil exemplares.

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Imagem: Instituto Ziraldo

Foi o começo da rica contribuição de Ziraldo à literatura e à ilustração para crianças. Publicou quase 200 títulos, parte dos quais se transformaram em peças de teatro e filmes. O Menino Maluquinho, de 1980, teve 4 milhões de exemplares vendidos só no Brasil. Foi adaptado para teatro, cinema, ópera, série de televisão, desenho animado e relançado em livro e quadrinhos. Com O Bichinho da Maçã, de 1982, Ziraldo recebe o prêmio Jabuti de Melhor Livro de Arte.

Em setenta anos de trabalho, Ziraldo consagrou-se como artista atemporal e universal e exemplo na defesa da liberdade de expressão. Em 2008, recebeu a mais importante distinção do humor gráfico internacional, o Prêmio Iberoamericano de Humor Gráfico Quevedos. Faleceu em 2024, em casa, no Rio de Janeiro, durante a temporada carioca da exposição Mundo Zira, que levou mais de 137 mil visitantes ao Centro Cultural Banco do Brasil. Pouco depois, foi homenageado in memoriam no 46º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

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