Livro conta a história de 15 anos do SOS Pantanal
Publicação lançada pelo Documenta Pantanal revela a trajetória de desafios e conquistas do SOS Pantanal na luta pelo bioma
Publicação lançada pelo Documenta Pantanal revela a trajetória de desafios e conquistas do SOS Pantanal na luta pelo bioma
O Instituto SOS Pantanal completou 15 anos em 2024, no dia 15 de julho. Uma história que serve de inspiração para outras organizações do Brasil e que foi escrita com muita luta e compromisso com o cuidado deste bioma encantador e ameaçado. Agora, esta história virou livro. Uma publicação bilíngue que vai ser lançada no dia 10 de março.
A trajetória é contada a partir da pesquisa da jornalista Teté Martinho e mostra o papel decisivo do instituto na restauração socioecológica e no monitoramento da cobertura vegetal do bioma, fomentando iniciativas importantes, como a criação do Programa Brigadas Pantaneiras, e contribuindo para a aprovação da chamada Lei do Pantanal.

Idealizado há mais de duas décadas por um grupo de cientistas, empresários, jornalistas e defensores da questão ambiental, o SOS Pantanal teve como inspiração outro projeto pioneiro, o SOS Mata Atlântica, fundado pelo empresário Roberto Klabin, pelo advogado Fabio Feldmann e por Rodrigo Lara Mesquita, publisher do jornal O Estado de S. Paulo.
Klabin, que presidiu o SOS Mata Atlântica ao longo de 22 anos, fundou o SOS Pantanal ao lado de outros dois conservacionistas, o geógrafo Mario Mantovani, especialista em recursos hídricos, e o ambientalista Alessandro Menezes, que então atuava na ONG Ecoa – Ecologia e Ação e se tornou o primeiro diretor-executivo do SOS Pantanal.
Os desafios e conquistas desta trajetória de 15 anos são minuciosamente retratados nas mais de 300 páginas do livro SOS Pantanal 15 anos, publicação bilingue idealizada pelo núcleo editorial do Documenta Pantanal, que conecta profissionais comprometidos em tornar as fragilidades e as riquezas do bioma mais conhecidas do público por meio do apoio à produção de documentários, reportagens, artigos, livros, web-séries e campanhas de sensibilização das populações locais e da sociedade civil.

“A história do Documenta Pantanal se confunde com a trajetória do SOS Pantanal. Nascemos em 2019, quando o instituto completava dez anos. Desde então, aprendemos muito com eles”, explica Mônica Guimarães, coordenadora-geral do Documenta Pantanal.
Com edição em português e inglês e repleto de imagens feitas por mais de 20 fotojornalistas, o livro é composto de uma narrativa cronologicamente dividida em cinco capítulos. Teté Martinho, reconstitui, a partir de depoimentos de criadores, conselheiros e parceiros, desde as origens, o movimento pioneiro da sociedade civil que culminou na criação do SOS Pantanal.
“A decisão de recuperar esses 15 anos de história é uma forma de celebrar a existência de uma iniciativa tão relevante como o SOS Pantanal, algo natural e justo. Livros como esse refletem nosso compromisso de contribuir para a criação de uma bibliografia especializada sobre o Pantanal”, complementa Mônica.
Em 2022, Teté Martinho publicou outro importante título editado pelo Documenta Pantanal, o livro Memórias de um Pantanal: histórias de homens e mulheres que desvendaram a região do Rio Negro. Atuando em campo graças a essa experiência prévia, a jornalista testemunhou um dos períodos mais hostis da história recente do bioma, marcado pelos incêndios e secas históricas de 2020 e de 2024.
Como resposta a essas ameaças, surgiu o Programa Brigadas Pantaneiras, uma das mais relevantes frentes de atuação do SOS Pantanal, cuja história é retratada no terceiro capítulo do livro, O Ano Que Mudou Tudo.

Desenvolvido em parceria com o Prevfogo e o Corpo de Bombeiros dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o projeto de formação de brigadas rurais de combate a incêndios florestais também serviu de inspiração para o desenvolvimento de novas estratégias de diálogo com a sociedade civil em um momento desafiador.
“Quando cheguei ao SOS Pantanal, em 2019, a instituição já tinha um nome forte e um trabalho extremamente profissional. No entanto, faltava comunicação. Em 2020, quando os incêndios devastaram o bioma e o mundo voltou os olhos para o Pantanal, nossa comunicação já estava mais consolidada. Estivemos em campo registrando o desastre, mobilizando recursos e levando ajuda para quem precisava. Em poucas semanas, saltamos de 13 para cerca de 190 mil seguidores em nossas redes sociais e construímos um relacionamento sólido com a imprensa”, explica Gustavo Figueirôa, diretor de Comunicação e Engajamento do SOS Pantanal.
“Hoje, somos uma das principais vozes na defesa do bioma, combinando estratégia digital, presença ativa e engajamento real na conservação”, afirma Gustavo.

Desde 2020, o Programa Brigadas Pantaneiras já qualificou mais de 400 pessoas, que compõem 27 brigadas espalhadas em mais de 600 mil hectares do Pantanal. Expansão financiada, também, por meio de recursos obtidos em parcerias como a campanha Artistas pelo Pantanal, idealizada pelo Documenta Pantanal.
Em tempo recorde, e contando com a colaboração de curadores e galeristas, a iniciativa reuniu 44 obras doadas por quarenta artistas contemporâneos brasileiros de projeção internacional, como Adriana Varejão, Paulo Bruscky, Jac Leirner e Vik Muniz, e produziu um leilão em prol da formação das brigadas. No total, foram arrecadados R$ 2 milhões.
No capítulo final, Desafios e Caminhos, fica evidente que o alcance de metas ambiciosas como a criação da chamada Lei do Pantanal (que dispõe sobre a proteção dos 9 milhões de hectares do bioma, e cujo périplo está dissecado ao longo de 20 páginas) exigirá, cada vez mais, o fortalecimento de colaborações essenciais, como as parcerias desenvolvidas com Instituto Líbio, Instituto Homem Pantaneiro, Chalana Esperança, Associação Onçafari, Retiro Ecológico Caiman e Instituto Arara Azul.

“Nos últimos anos, reforçamos a importância de estabelecer boas parcerias, a transparência e a consistência de nossos posicionamentos e ações. Aprendemos a nos comunicar de maneira mais eficaz, tanto com os pantaneiros, quanto com o poder público e com os apoiadores de diversos locais do Brasil e do mundo”, explica Leonardo Gomes, diretor executivo do SOS Pantanal.
SOS Pantanal 15 Anos destaca ainda ações mais recentes desenvolvidas pelo Instituto, como o Projeto Águas Que Falam, que prevê o monitoramento constante das águas de rios pantaneiros, além de intervenções para a melhoria da qualidade da água e do saneamento, em uma ação conjunta com as comunidades, e o Projeto Raízes do Pantanal, programa de restauração ecológica iniciado em 2020 na Terra Indígena Cachoeirinha (MS) que envolve moradores de cinco aldeias locais no trabalho de colheita e beneficiamento de sementes, produção de mudas nativas e plantio.
Até o final da apuração do livro, em meados de 2024, o Raízes do Pantanal já havia recuperado cinco nascentes, protegido 80 hectares de vegetação e plantado quase 8 mil árvores.

“Essa é uma boa amostra dos avanços que conquistamos, principalmente a partir de uma maior presença em campo, onde mergulhamos na realidade do Pantanal, vivemos ao lado das pessoas seus desafios e oferecemos apoio em temas como prevenção e combate a incêndios florestais, gestão do recurso hídrico e restauração de ambientes degradados”, conta Leonardo.
O Instituto Socioambiental da Bacia do Alto Paraguai SOS Pantanal é uma organização ambiental nascida em 2009, que atua na conservação do Pantanal, promovendo o aprimoramento de políticas públicas, a divulgação de conhecimento e o desenvolvimento de projetos para o uso sustentável do bioma. Por meio da ciência e do diálogo, o SOS Pantanal fomenta as transformações necessárias com o apoio de diversos setores da sociedade civil e do poder público.

“A conexão entre o ‘pé no chão’, apresentando soluções práticas através de nossos projetos, com a produção de conhecimento técnico de alto nível e a incidência nas políticas públicas foi algo que marcou o SOS Pantanal nesses 15 últimos anos e definitivamente alavancou nosso impacto na sociedade”, conclui Leonardo Gomes.
O Documenta Pantanal conecta profissionais de áreas diversas comprometidos com a urgência de tornar as fragilidades e as riquezas do Pantanal mais conhecidas do público. Trabalhando por um Pantanal vivo, produtivo e exuberante, a instituição cria, provoca e apoia ações e conexões para mapear a cultura da região, apontar soluções de preservação e gerar recursos de proteção para o desenvolvimento de campanhas que mobilizam e expandem parcerias para responder a situações emergenciais e crônicas do Pantanal, de incêndios criminosos à perda hídrica.

Além de veicular reportagens, artigos e web séries, a iniciativa apoia e produz a realização de documentários que retratam o Pantanal de forma original e aprofundada, ampliando a oferta de obras com potencial de circulação e sensibilização.
