Nove pesquisadores acabam de realizar um artigo conjunto onde analisam o uso e a segurança dos chamados “copinhos” menstruais. O resultado não poderia ser mais satisfatório: eles são seguros e econômicos.

Amado por alguns, os coletores ainda encontram resistência. Uma das razões é porque o recipiente, feito de silicone, deve ser inserido na vagina em torno do colo do útero. Isso gera desde desconforto inicial, quando a pessoa ainda está aprendendo seu uso correto, até barreiras de cunho religioso e cultural. Ao contrário dos absorventes feitos de plástico e algodão, o material não “absorve” o sangue, ele coleta-o. O copinho deve ser esvaziado, em até 12 horas, higienizado e novamente introduzido. Ao fim do ciclo, deve ser higienizado em água quente, guardado adequadamente para ser reutilizado no ciclo seguinte. 

O artigo, que revisou 43 estudos sobre o uso de copos menstruais em todo o mundo, vem para derrubar alguns mitos e reforçar alguns dos inúmeros benefícios relatados por quem já trocou as opções tradicionais pelo uso do copinho. 

Os dados incluíram 3.319 mulheres e meninas. No quesito saúde, por exemplo, os pesquisadores não encontraram aumento dos riscos à saúde associados ao uso de copos menstruais. Por serem reutilizáveis, eles geram economia, pois apesar de ter um custo maior do que um pacote de absorvente, o valor é recompensado por sua vida útil que é de cerca de 10 anos. Sobre esse fato, aliás, em dois estudos, as mulheres relataram que o uso de coletores ajudava a economizar água devido a ocorrências de menos vazamentos e, consequentemente, a necessidade de lavagem de manchas. Por outro lado a menor disponibilidade de  água, como em campos de refugiados, de acordo com o estudo, fez com que as pessoas descobrissem como limpar os copos menstruais com menos água. 

O artigo também afirma que os copinhos podem ser uma boa opção em regiões remotas -, onde o acesso a absorventes pode ser caro ou limitado. Também poupa o meio ambiente, uma vez que não gera resíduos. 

“O vazamento foi semelhante ou menor do que os absorventes descartáveis. A adoção de um copo menstrual exige uma fase de familiarização e o apoio dos pares parecia ser importante para a aceitação em países de baixa e média renda. Desafios em ambientes com recursos limitados (por exemplo, falta de saneamento, higiene e privacidade) não impediram as mulheres de usar o copo. Cerca de 70% dos participantes de 13 estudos declararam querer continuar usando”, afirmam os pesquisadores no texto. 

A revisão sugere que copos menstruais são uma opção aceitável e segura para a higiene menstrual em países de alta renda, baixa renda e renda média, mas não são bem conhecidos. “Nossas descobertas podem informar aos formuladores de políticas e programas que os copos menstruais são uma alternativa aos produtos sanitários descartáveis, mesmo onde as instalações de água e saneamento são precárias”, concluem. 

 O apanhado dos pesquisadores foi publicado, em inglês, na revista científica The Lancet.