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10 livros de autores indígenas para ler na semana da Amazônia

São obras que inspiram boas conversas, geram sentimento de afeto e aumentam o conhecimento de mundo, de outras culturas e paisagens

Published 04/09/2023

Foto: Divulgação Portel Emilie Rivas MG

A importância do cuidado e da preservação da Amazônia podem ser ensinados desde cedo para as crianças e a literatura é um ótimo recurso para fazer essa aproximação. Nesta semana em que se comemora o dia da Amazônia, mais precisamente em 5 de setembro, a ONG Vaga Lume, que está presente em 22 municípios da Amazônia Legal, compartilha 10 sugestões de livros de autoras e autores de diferentes nações indígenas.

“Buscamos livros que despertam sentimentos em quem faz a mediação e em quem ouve as histórias. Obras que inspiram boas conversas, geram sentimento de afeto e aumentam repertório, não só de vocabulário, mas também de conhecimento de mundo, de outras culturas e paisagens”, diz Fernanda Prado, gerente de Relações Institucionais da Vaga Lume. Confira abaixo!

Foto: Max Goncharov | Unsplash

Livros artesanais: quantos botos a Amazônia tem?

Além dos livros de autores indígenas, a ONG Vaga Lume também estimula crianças e jovens a ouvirem os mais velhos e registrarem as histórias e lendas das suas comunidades na Amazônia. A partir desses desenhos e textos, são criados livros artesanais.

Em um passeio pelo acervo de 300 livros artesanais é possível compreender um pouco mais da pluralidade do bioma. Um exemplo de história regional que ganha diferentes sotaques é a do boto, que conta com dez versões produzidas ao longo dos quase 22 anos de atuação da ONG.

Foto: Divulgação

“Os livros artesanais fomentam a integração da comunidade, o imaginário coletivo e principalmente a importância das histórias que são passadas de geração em geração pela oralidade. Já vi muitos mais velhos emocionados quando, no último dia do curso, acontece a mediação de leitura do livro”, diz Priscila Fonseca, coordenadora da dimensão de Cultura Local da Vaga Lume.

“O boto do Camarapi”, criado a partir do conto oral de Dona Lindalva, da comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Portel (PA), traz a versão da lenda mais conhecida que é a de um boto que se transveste de humano para namorar com as mulheres, mas, claro, com detalhes que tornam a história única. “Nessa comunidade tranquila, repleta de castanheiras e sumaúmas gigantes, seringueiras, açaizais, japiins e andorinhas cantantes havia um rio tranquilo e, na beira do rio, uma casa onde morava uma mulher chamada Maria…”.

Foto: Divulgação

Já o livro “O boto e o pirarucu do laguinho”, narrado por Zuleide Viana dos Santos aos jovens Nayra Cunha de Figueiredo e Fabrício Guerreiro, do quilombo Boa Vista, em Oriximiná (PA), fala de duas mulheres que visualizaram um boto e um pirarucu enamorados, mas ninguém consegue pescar os dois de jeito nenhum.

Tem ainda “A História do Chapéu do Boto”, da comunidade de Pacaraima (RR), “O Mistério do Boto”, de Barcelos (AM), “A Bisavó e o Boto” de Breves (PA) e “A Cortadora de Sova e o Boto”, de Carauari (AM), entre outros.

Afinal, quantos botos a Amazônia tem? Ou ainda, quantas Amazônias o Brasil tem?

Confira on-line o livro artesanal “O boto e o camarapi” aqui.

Foto: Divulgação
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