As escolhas alimentares têm poder para influenciar a saúde das pessoas e também o meio ambiente. Segundo o “Guia alimentar para a população brasileira”, os alimentos ultra processados devem ser evitados para garantir que pessoas e meio ambiente estejam saudáveis.

A publicação foi feita através de uma parceria entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e o Ministério da Saúde. A proposta é estimular a qualidade na alimentação através de informação e análises sobre diferentes tipos de alimentos.

Ao contrário dos guias comuns, o modelo brasileiro não trabalha os grupos alimentares tradicionais e as proporções. O material separa os alimentos a partir do seu grau de processamento, ou seja, na base estão os naturais e no topo, como o que devem ser menos consumidos, os industrializados.

Para ter uma dieta saudável é necessário preparar os próprios alimentos. “Você não precisa cozinhas a própria comida, alguém pode prepará-la para você, mas ela não pode basicamente ser feita pela indústria de alimentos”, explica o coordenador técnico do guia, Carlos Augusto Monteiro, em declaração à Agência Fapesp.

O guia foi produzido a partir de três anos de pesquisas com especialistas de diversas áreas. Nutricionistas, antropólogos, epidemiologistas e cientistas de alimentos foram escutados para que não só a questão da comida em si fosse considerada, mas todos os outros impactos gerados a partir dela também, sejam eles na sociedade ou no meio-ambiente. O material foi muito elogiado no exterior, sendo considerado revolucionário por analisar as próprias refeições e não apenas os nutrientes.

Os alimentos que integram o primeiro grupo e que são indicados para terem a maior parcela de consumo são os “in natura”, ou seja, que não passaram por alterações ao deixarem a natureza. Frutas e hortaliças estão nesta divisão. Os alimentos minimamente processado, como: carne resfriada, leite pasteurizado, grãos secos e moídos, também.


Foto: ©iStock/Inaquim

O segundo grupo envolve as substâncias extraídas de alimentos, como: óleos, gorduras, açúcares e sal. Quando usados em pequenas quantidades para temperar, eles não alteram a composição nutricional dos alimentos.


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Na terceira leva estão itens processados, fabricados essencialmente com a adição de açúcar ou sal. Alguns exemplos são: legumes em conservas, frutas em caldas, queijos e pães. Neste caso, a recomendação é que haja o consumo limitado e eles jamais devem substituir os alimentos em sua forma natural e as preparações culinárias.


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O quarto grupo é composto por comidas ultraprocessadas, que passam por amplo processo industrial. Os exemplos são: refrigerantes, biscoitos e salgadinhos, que possuem pouco ou nenhum alimento verdadeiro em sua composição. Além disso, eles são ricos em gordura, sal, açúcar e muitas outras substâncias artificiais. Eles também são pouco nutritivos e não recomendados.


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Além de não fazerem bem à saúde, os alimentos totalmente industrializados são ruins para o meio ambiente. Eles são responsáveis pela geração de grande quantidade de resíduos e requerem muita água e energia durante o processo de fabricação. Ao optar por alimentos industrializados, mesmo os pouco processados, ocorre o incentivo à redução das espécies de alimentos. Pois, para a indústria é muito comum haver o uso de grande quantidade de apenas uma variedade. Diferente do que acontece com as opções “in natura” ou minimamente processados, que são consumidos em uma variedade maior e provocam um impacto não homogêneo em termos de recursos naturais.

O guia ainda fala sobre a importância de realizar as refeições em local adequado. Não é ideal comer em frente à televisão ou realizando outras tarefas que desviem a atenção da alimentação. A publicação também sugere que refeições feitas em grupo tendem a ter uma variedade maior de alimentos, contribuindo para pratos mais nutritivos.

O guia completo está disponível aqui.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.