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Fome ou FOMO? Especialistas analisam o fenômeno do morango do amor

Profissionais da saúde revelam o lado psicológico da sobremesa em tempo de redes sociais

Published 31/07/2025
morango do amor

Foto: Santa Bala | Instagram @santabala.go

Um morango envolto por brigadeiro branco e coberto com caramelo vermelho. É o famoso morango do amor, que, após viralizar nas redes sociais, impulsionou as vendas de confeiteiras e fez o preço da bandeja da fruta subir em diversas localidades. Especialistas da área da saúde, entretanto, têm alertado para os efeitos não tão doces da nova sobremesa.

Há muitos anos, foi cunhada a expressão Fear of missing out (FOMO) para identificar o sentimento de perda de experiências em meio a avalanche de informações trazidas no contexto digital. Para o psicólogo do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), Thiago Ayala, uma situação similar pode ser ocasionada pelos milhares de vídeos de influencers com o morango do amor e frases feitas do tipo “você precisa experimentar”.

“Isso ativa um desejo imediato de estar junto, de fazer parte. Não é só sobre o doce, é sobre não ficar de fora. O tal do ‘todo mundo está indo’ parece criar uma pressão invisível, e aí você se pega numa fila quilométrica, gastando mais do que devia, só para provar o que viu nas redes sociais. É uma mistura de curiosidade com medo de ficar por fora da conversa. E nem sempre a gente percebe o quanto isso está nos guiando”, afirma Ayala, que é especialista em psicologia da saúde e terapia cognitivo comportamental.

 

O psicólogo explica que o maior problema é quando esse tipo de comportamento vira rotina e começa a ganhar um peso emocional, desencadeando frustrações. “A questão não é o produto, mas a velocidade com que os desejos são fabricados e descartados”, afirma. “Faz a gente gastar energia com o que é passageiro, deixa um gosto amargo de insatisfação quando aquilo não é tão incrível quanto parecia, e às vezes até atrapalha a saúde, o bolso, ou as relações. Controlar esse impulso não é sobre se proibir de curtir as coisas, mas sobre pensar: eu quero isso mesmo, ou só quero sentir que estou por dentro?”, completa.

A nutricionista Sophie Deram, autora dos livros “O peso das dietas” concorda que a popularização da receita revela o quanto nossas escolhas alimentares ainda são influenciadas por fatores externos, como modismos e pressão social.

Foto: Pixabay

“Não há nada de errado em experimentar um alimento novo, inclusive esse – que chama a atenção de nosso cérebro por ‘gritar’ ‘açúcar, açúcar, açúcar!’. O problema é quando comemos algo apenas porque todos estão comendo, sem nos perguntar se temos vontade verdadeira. A alimentação é um ato de conexão com o corpo e com o prazer, não uma forma de agradar ou pertencer a um grupo”, explica Sophie.

A especialista alerta que mesmo fora da lógica das dietas restritivas, muitas pessoas ainda vivem sob regras não ditas sobre o que devem ou não comer – e as tendências alimentares, mesmo as mais indulgentes, podem ser apenas outro tipo de controle disfarçado. “Às vezes, o hype é só mais uma forma de dizer ‘coma isso para ser aceito’. A cultura da dieta veste muitas fantasias. Já foi o suco verde, agora é o morango do amor. O importante é recuperar a autonomia sobre o que comemos”, afirma. “Tudo bem querer experimentar uma novidade (assim como foi o Chocolate Dubai, lembra?), afinal, a curiosidade é parte de uma relação saudável com a comida. Mas a motivação não deveria vir da pressão por ‘não ficar de fora’ de uma modinha. Coma o morango do amor se quiser e não porque precisa postar nas suas redes, combinado?”, ressalta.

O apelo visual do doce em questão é outro ponto. As cores vibrantes e o brilho do doce também induzem o consumo, segundo afirma Camille Perella Coutinho, nutricionista e doutora em Ciências de Alimentos pela USP, em entrevista ao G1. Quantas vezes não nos deparamos com um doce na padaria que é mais bonito do que gostoso?

Se, mesmo ciente dessas informações, você opte por experimentar a sobremesa mais popular dos últimos tempos, a nutricionista do Humap, Laura Oliveira Pael, sugere uma forma de consumo menos danosa à saúde. “O ideal é consumi-lo após as principais refeições, nunca em jejum, para evitar pico de glicemia. O morango isoladamente é uma fruta pouco calórica, de baixo índice glicêmico e um aliado para alimentação adequada”, recomenda.

Como fazer morango do amor

Abaixo publicamos uma receita do Tudo Gostoso, um dos sites de receita mais famosos do Brasil. Com 64 avaliações, o preparo abaixo foi classificado com cinco estrelas:

Ingredientes

Preparo

Antes de colocar a mão na massa, veja no site do TudoGostoso os maiores erros do preparo do morango do amor.

Se você ainda prefere comer a fruta sem tantos açúcares adicionados, que tal plantá-lo em casa? Veja dicas aqui e aqui. Você também pode apostar em outras receitas de morango, como geleia, picolé e iogurte.

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