Investigação mundial da Proteção Animal Mundial revela que a companhia aérea Turkish Airlines e sua transportadora (Turkish Cargo) permitem o transporte de animais silvestres, apesar de terem se comprometido com o combate ao tráfico. Os traficantes usam a companhia aérea para transportar ilegalmente papagaios-do-congo africanos em voos que saem da República Democrática do Congo, Nigéria e Mali com destino a países do Oriente Médio e Ásia.

Após a denúncia, a Proteção Animal Mundial lança a campanha “Animal silvestre não é pet” tendo como foco o comércio ilegal de animais silvestres e o sofrimento animal causado pelo tráfico. “A capilaridade da Turkish Airlines e Cargo é muito ampla, a companhia voa para 120 países, incluindo o Brasil. Por isso, o resultado da investigação é tão alarmante. Pedimos que a empresa pare de transportar aves silvestres até que seja comprovado que espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio-do-congo, não estejam sendo transportadas em seus aviões”, explica Roberto Vieto, gerente de vida silvestre da ONG.

Estudo da organização aponta que quase um terço dos animais silvestres capturados pelo comércio ilegal morre durante o transporte. Recentemente, mais de 60 papagaios-do-congo transportados pela Turkish Airlines ao Kuwait chegaram mortos ao destino. Ao não verificar com cuidado as cargas que transporta, a companhia aérea contribui para o sofrimento e morte desses animais.

“Animal silvestre não é pet”

Milhões de animais silvestres, incluindo papagaios, são capturados de seus habitats ou criados em cativeiro para serem vendidos no mercado de animais de estimação exóticos. Anualmente, esse segmento movimenta cerca de US$ 42,8 bilhões e causa um impacto devastador nas populações de animais silvestres de todo o mundo, afinal três em cada quatro bichos morrem no transporte ou em um ano de cativeiro.

Para combater esse problema, a Proteção Animal Mundial lançou a campanha “Animal silvestre não é pet”, que além da denúncia contra a Turkish Airlines traz investigação que aponta que pelo menos três de cada quatro cobras, lagartos e tartarugas morrem dentro de um ano em casa; três de cada quatro papagaios-do-congo capturados para serem vendidos como animais de estimação morrem antes de chegar a um comprador; e quase um terço de todos os animais silvestres morrem durante o transporte.

“Além disso, descobrimos que 45% dos donos de animais exóticos não sabem que sua espécie é considerada silvestre, a compra é feita por amor aos animais. As pessoas desconhecem o sofrimento extremo causado a eles”, completa Vieto.

Mesmo quando os trâmites de compra são feitos de maneira legal, manter tartarugas, papagaios, cobras e outros animais silvestres em cativeiro é cruel. Uma vida em cativeiro limita o comportamento natural e ameaça o bem-estar físico e psicológico de muitos animais, que morrem por asfixia ou inanição. Para se juntar à campanha “Animal silvestre não é pet” e solicitar o fim do transporte pela Turkish Airlines e Cargo acesse aqui.