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Desde 1902, ocorre o monitoramento hidrológico do rio Negro em Manaus. Neste histórico, o menor nível do curso d’água já registrado na capital amazonense era de 1963, ano em que o Negro chegou a 13,64 metros. Porém, no último domingo (24), o rio atingiu a cota recorde de 13,63 metros no Porto de Manaus.

Este comportamento é semelhante ao da vazante histórica de 2005, quando o curso d’água chegou ao nível de -61 centímetros. Como o fundo do rio não é plano, a régua é colocada de modo que fique numa posição operacional adequada, principalmente em se tratando de rios tão largos como os maiores da Amazônia. Por isso, pode haver níveis negativos. Desde o recorde e até a última quinta-feira, dia 21, o rio Solimões subiu e chegou a 0,85 metros.

No entanto, o nível pode cair ainda mais nos próximos dias, pois o período de vazante (descida do nível do rio) ainda não terminou. Conforme alertado pela Agência Nacional de Águas (ANA), esta seca pela qual passa a Amazônia é a maior dos últimos anos, o que influencia diretamente no volume de água dos rios da região.

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Conforme explicado pelo superintendente de Usos Múltiplos da ANA, Joaquim Gondim, a chuva abaixo da média em outros países amazônicos – Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela – foi outro fator que causou a situação atual do baixo nível dos rios, onde estão as cabeceiras de afluentes do rio Amazonas, que ao entrar no Brasil passa a se chamar Solimões. O rio volta a ter o nome de Amazonas após o encontro do Negro com o Solimões nas proximidades de Manaus.

Segundo Gondim, a atual realidade dos rios amazônicos interfere no cotidiano de quem vive na região. “A população local está sofrendo com os efeitos da seca, já que os rios da região têm papel fundamental para o transporte de cargas e passageiros, além do abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis. Essa população também tem que percorrer grandes distâncias para obter água de boa qualidade, porque, com a estiagem, a água de grande parte dos rios fica imprópria para consumo humano”, finaliza ele.

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