Pesticidas prejudicam o desenvolvimento cerebral das abelhas

Estudo escaneou o cérebro do inseto e descobriu os danos dos agrotóxicos na fase larval das abelhas.



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Foto: Roberto Lopez | Unsplash

Os pesticidas podem prejudicar o crescimento cerebral das abelhas e afetar a capacidade de realizar uma simples tarefa de aprendizagem quando a abelha estiver adulta, segundo um novo estudo.

Usando microtomografia de raios-X, pesquisadores da instituição britânica Imperial College London descobriram como partes específicas do cérebro de abelhas cresceram anormalmente quando expostas a pesticidas durante a fase larval.

“As colônias de abelhas agem como superorganismos; portanto, quando qualquer toxina entra na colônia têm o potencial de causar problemas no desenvolvimento das larvas de abelhas”, afirma o pesquisador principal, Dr. Richard Gill.

A maioria dos estudos anteriores testou os efeitos da exposição a pesticidas em abelhas adultas porque esses indivíduos coletam diretamente néctar e pólen contaminados por pesticidas. No entanto, este estudo mostra que as abelhas “bebês” também podem sentir os efeitos dos alimentos contaminados trazidos de volta para a colônia – ainda que os efeitos sejam a longo prazo.

“Quando as abelhas jovens ingerem alimentos contaminados com pesticidas isso faz com que partes do cérebro cresçam menos, levando as abelhas adultas a possuir cérebros menores e com problemas funcionais”, continua Gill.

Aprendizagem

Durante a pesquisa, parte das abelhas recebeu pesticidas neonicotinóides – derivados da nicotina, são proibidos na União Europeia, mas permitido em muitos lugares do mundo, inclusive, no Brasil. Uma vez que tais abelhas viraram adultas, foi testada a capacidade de aprendizado das mesmas. Algumas passaram a ter seus cérebros fotografados. As abelhas que foram alimentadas com pesticidas, na fase de desenvolvimento, apresentaram capacidade de aprendizado significativamente prejudicada em comparação com as que não eram.

Os pesquisadores examinaram o cérebro de cerca de 100 abelhas de diferentes colônias e descobriram que aqueles que foram expostos a pesticidas também tinham um volume menor de uma parte importante do cérebro de insetos, conhecida como corpo de cogumelo. Sabe-se que o corpo do cogumelo tem relação com a capacidade de aprendizado dos insetos.

Os resultados foram comparados tanto com colônias que não receberam pesticidas como os que foram alimentados com pesticidas somente na fase adulta. A conclusão foi que os danos têm efeito potencialmente permanente.

O estudo foi inovador no uso de microtomografia de raios-X para escanear cérebros de abelhas e está disponível em Proceedings of Royal Society B.

As informações são da Imperial College London.



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