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Organizações ambientais alemãs querem que o governo alemão desista de financiar Angra 3; a justificativa é de que o Brasil possui padrões de segurança baixos, uma vez que o país opera uma usina (Angra 2) há dez anos sem ter uma licença permanente, além de não ter fiscalização nuclear independente. 

A usina é resultado de uma parceria entre Brasil e Alemanha. Em 2010 o país europeu reafirmou seu compromisso com Angra 3, mas contratos de financiamentos e fornecimentos de materiais todavia não foram assinados. A colaboração entre os dois países, com o programa nuclear brasileiro, existe desde a década de 70.

Diversas instituições assinaram uma carta pedindo que o país desista desta parceria. O argumento usado pelos ambientalistas é de que Angra 3 foi projetada nos anos 80, sendo portanto, ultrapassada. Além disso, eles dizem que a estrutura apresenta diversos problemas com relação à segurança das pessoas e do ecossistema da região. Também existe a falta de um depósito seguro para os resíduos nucleares, conforme explicado pela especialista em instituições financeiras da ONG Urgewald, Barbara Happe, que já morou no Brasil e analisou o projeto da nova usina.

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Barbara explica que, atualmente os resíduos nucleares são armazenados dentro do próprio complexo, em frente ao mar. “Sabemos que aquela região sofre fortes chuvas e está sujeita a deslizamentos. Em casos como estes, a rota principal de fuga, que é a BR-101 (Rio-Santos), geralmente fica interditada. Em caso de acidentes, seria preciso retirar cerca de 170 mil pessoas dali. Sem a rodovia, fica difícil”.

Segundo ela, uma das autoras da carta enviada à chanceler Angela Merkel e aos ministros da Economia, das Finanças e das Relações Exteriores do país, a verba prevista para a usina de Angra 3 é a maior que todas as que Alemanha concedeu recentemente.

A carta entregue ao parlamento chegou antes de um debate sobre a questão. Após a discussão, o governo se pronunciou e disse que voltará a discutir as condições da construção de Angra 3 com o governo brasileiro.

Depois do acidente nuclear no Japão, causado pelo tsunami e terremoto, na usina de Fukushima Daiichi, diversos países europeus mudaram seus programas nucleares inclusive a Alemanha, que decidiu não mais estender a vida útil das usinas do país; somado aos esforços populares contra o uso da energia nuclear.

“Entre 2001 e 2009, conseguimos que a Alemanha não aprovasse nenhum financiamento na área de energia nuclear. Mas, desde que o governo mudou, usinas da China, do Vietnã, da França e de outros países receberam financiamentos. Nós só ficamos sabendo depois”, disse Barbara.

O porta-voz da empresa Eletronuclear, que opera as usinas nucleares brasileiras, anunciou que estão tomando medidas de segurança para aumentar o número de rotas de fuga e que existem planos para análise de risco de deslizamentos nas encostas da BR-101. Segundo ele, a empresa estuda a possibilidade de construir uma pequena central hidrelétrica nas bacias dos Rios Mambucaba e Bracuí para resfriar os reatores das usinas caso os geradores existentes falhem, como ocorreu em Fukushima. Com informações da BBC Brasil.

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