O Pantanal é um dos paraísos brasileiros. Com um ecossistema riquíssimo, é um dos destinos preferidos por brasileiros e estrangeiros que procuram interagir e observar a natureza. O turismo de observação, como é conhecido, movimenta US$ 7 milhões por ano apenas na região de Porto Jofre, no município de Poconé, onde termina a estrada Transpantaneira.

O dinheiro vem de pessoas que querem ver de perto a fauna e flora pantaneiras. “Apenas aqui, são US$7 milhões, mas o Pantanal inteiro movimenta muito mais. Sem falar na compra de passagens, hospedagens, aluguel de carros e toda a logística que está envolvida para que o turista chegue aqui. O Brasil precisa investir nisso e perceber que a preservação da onça, além de ser benéfica à fauna, beneficia a economia”, conta Rafael Hoogesteijn, supervisor da ONG Panthera Brasil, trabalha diretamente na preservação das onças na fazenda Jofre Velho.

Desde 2014, a Pantheras Brasil trabalha pela preservação das onças-pintadas no Pantanal. O turismo não invasivo, a conscientização das comunidades locais e a instalação de cercas que separam a onça do gado são algumas das práticas adotadas. A ONG também se dedica ao estudo da espécie.

Caça ainda acontece

Mesmo movimentando recursos importantes para a região, as onças-pintadas ainda são caçadas. No início de novembro, três onças-pintadas foram mortas no município de Cocalinhos (MT). Com apoio de órgãos como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação e da Biodiversidade (ICMBio), a Polícia Civil do Estado identificou a propriedade em que os animais foram mortos e as pessoas envolvidas no crime ambiental, mas o caso ainda segue em investigação.

“Temos que ensinar que a onça-pintada não é ameaça, não é inimigo. Há muito o que fazer, mas já vemos alguns avanços na região. Existem fazendeiros que têm nos procurado para entender a onça-pintada, perceber que ela pode ser uma forma de turismo, ao mesmo tempo que protegemos a espécie”, conta Elizeu Evangelista da Silva, pantaneiro e colaborador da ONG Pantheras.