A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu a importância de desenvolver de maneira sustentável as cidades e os meios urbanos. Durante o evento sobre Governança do Solo, em Brasília, realizado na última quarta-feira (25), ela destacou a situação da cidade de São Paulo, que, no ano passado, enfrentou uma crise no abastecimento de água.

Para ela, a ocupação não planejada das cidades tem relação direta com o problema. "O abandono e o mau uso [do solo] no processo de ocupação urbana chega ao limite [ao ponto] de termos a maior cidade da América Latina – São Paulo – com dois rios cruzando a cidade, vivendo uma crise hídrica nunca vista antes."

A ministra ressaltou a necessidade de pensar o futuro das cidades, ao avaliar o crescimento populacional nos centros urbanos. Segundo ela, os debates devem ser feitos de maneira integrada entre os agentes responsáveis. "O primeiro desafio que coloco aqui é em relação às cidades urbanas. Nós somos um país com 85% da população vivendo nessas áreas e, em 2030, espera-se que sejam 93% ou 95%. Nós temos que criar uma agenda e trabalhar todos juntos, independentemente de questões políticas", disse Izabella Teixeira.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes. "É fundamental que nós não façamos com os solos o que, de certa forma, fazemos com a saúde, investindo mais na cura do que na prevenção. Com o solo devemos trabalhar muito mais na prevenção, lidando com os riscos de forma planejada", afirmou.

O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura no Brasil (FAO), Alan Bojanic, também destacou a forte relação entre uma boa qualidade do solo e sua capacidade produtiva com a condição de vida e situação alimentar da população mundial. "Sem solo. não vamos ter alimentos para o futuro. Sem uma boa conservação do solo, não vamos poder erradicar a fome no mundo. Então, o tema é essencial e precisamos ter ciência, produtores engajados [com a conservação]", disse Bojanic.

Da Agência Brasil

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.