plástico
Foto: Marc Newberry | Unsplash
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A poluição plástica já está em tudo o que se possa imaginar. Na terra, na água e até no ar: é um problema global. Descartadas incorretamente, sacolas plásticas e garrafinhas de água, por exemplo, formam pequenos fragmentos que ainda podem contaminar o meio ambiente e confundir animais. Não faltam imagens chocantes de animais mortos pela ingestão de plástico. Entretanto, as consequências para a saúde humana ainda são desconhecidas. Uma equipe de cientistas nos Estados Unidos estão entre os primeiros a examinar micro e nanoplásticos em órgãos e tecidos humanos.

O que é o microplástico

Os cientistas definem microplásticos como fragmentos de plástico com menos de 5 mm. Os nanoplásticos são ainda menores, com diâmetros menores que 0,001 mm. Pesquisas realizadas em animais já relacionam a exposição a micro e nanoplásticos à infertilidade, inflamação e câncer. 

“Você pode encontrar plásticos contaminando o meio ambiente em praticamente todos os locais do mundo e, em poucas décadas, deixamos de ver o plástico como um benefício maravilhoso e passamos a considerá-lo uma ameaça”, diz Charles Rolsky, um dos autores do estudo. “Há evidências de que o plástico está entrando em nossos corpos, mas poucos estudos o procuraram”.

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Plástico no corpo humano

Na pesquisa conduzida por estudantes da Universidade do Arizona, foram usadas amostras de um grande repositório de tecidos do cérebro e do corpo humano, destinadas originalmente ao estudo de doenças neurodegenerativas. Dali foram retiradas amostras dos pulmões, fígado, tecido adiposo, baço e rins – órgãos susceptíveis de serem expostos a filtrar ou armazenar monômeros plásticos e microplásticos. A equipe expôs a amostragem a grânulos nano/microplásticos para analisá-los. Neste caso foi usada uma técnica chamada de citometria de fluxo. 

Em seguida, os pesquisadores usaram outro método chamado espectrometria de massa para analisar 47 amostras de fígado humano e tecido adiposo. Neste caso, nenhum material plástico foi adicionado às amostras. Mesmo assim, a equipe encontrou a contaminação  plástica na forma de monômeros, ou blocos de construção de plástico, em cada amostra. 

O bisfenol A (BPA), por exemplo, foi encontrado em todas as 47 amostras humanas. O BPA é um produto químico industrial utilizado desde a década de 1960 e pode ser encontrado em garrafas de plástico, no revestimento interior de latas, em tampas de garrafas e ainda é bastante usado na fabricação de potes de armazenamento de alimentos. 

Quais os riscos?

Ainda não há estudos que tragam os riscos exatos de tais substâncias no corpo humano, mas é difícil acreditar que não haja. Sobre a questão “as pessoas devem se preocupar com a alta frequência de detecção de componentes plásticos em tecidos humanos?” o pesquisador Varun Kelkar, também integrante do estudo, alerta: “Não queremos ser alarmistas, mas é preocupante que esses materiais não biodegradáveis ​​que estão presentes em todos os lugares possam entrar e se acumular nos tecidos humanos, e não sabemos os possíveis efeitos à saúde”. 

Kelkar também assinala que os estudos devem continuar. Neste momento, ele busca entender a localização e a extensão do acúmulo de componentes plásticos no corpo humano. Futuramente, poderão ser avaliados os resultados para a saúde humana. “Poderemos começar a entender os riscos potenciais à saúde, se houver”. 

O estudo foi apresentado durante um evento virtual da American Chemical Society.

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