Em outubro de 2018, foi publicado um estudo sobre a descoberta de resíduos plásticos em 36 marcas de sal marinho. Agora a Universidade Sunway, da Malásia, reforça a preocupação após testar 14 marcas de sal produzidas localmente. 

As marcas pesquisadas estão disponíveis nos supermercados do país em várias formas, desde o sal grosso até o mais refinado. Em todos eles, há três tipos comuns de microplásticos nas amostras de sal: fibras, fragmentos e microesferas. O resultado das descobertas é que o sal grosso contém a maior parte das impurezas, enquanto o sal super fino contém o mínimo.

A pesquisa foi conduzida pelos professores, Jane Gew Lai Ti e Yow Yoon Yen, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade Sunway. 

Processo

Os pesquisadores primeiro infundiram 250 gramas de sal em peróxido de hidrogênio em uma incubadora de 24 horas a 65 graus Celsius para digerir a matéria orgânica dos oceanos. Adicionou-se então água bidestilada à solução e deixou à temperatura ambiente durante mais 24 horas para permitir que qualquer resíduo assentasse no fundo da garrafa antes da filtração.

“O sobrenadante da solução salina é então filtrado com papel de filtro e os poluentes coletados são então analisados com um microscópio estereoscópico, caracterizados por espectroscopia infravermelha e microscopia de varredura eletrônica. O procedimento foi replicado pelo menos três vezes para todas as 14 marcas de sal marinho vendidas na Malásia”, explica o pesquisador Yow Yoon Yen. 

Não é demais lembrar que o processo convencional de extração de sal da água do mar é com lagoas de evaporação. No caso do sal encontrado na maioria dos lares, o material passa por ao menos três processos: térmico, refinamento e branqueamento. A recomendação dos pesquisadores é que os métodos sejam melhorados. “Propomos que os fabricantes de sal tenham um processo ou sistema de filtração melhor. Reduza o tamanho dos poros do cartucho filtrante no sistema de filtração ou aumente a filtragem das soluções salinas, pois elas podem ajudar a reduzir a presença de microplásticos nos sais comestíveis durante o processo de fabricação”, disse a professora Jane Gew.

Para os estudiosos não há mais como ignorar que a vida selvagem marinha está sofrendo pela ingestão de plástico, o que revela nosso alto consumo e descarte plástico, assim como a poluição de cursos d’água e oceanos. Defensora de um futuro mais sustentável, Jane aconselha a todos que se abstenham de usar plástico descartável. “Isso ajudará a evitar mais contaminação por microplásticos”.

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