Uma comissão especial criada na Câmara aprovou o projeto que prevê a ativação de uma estrada no Parque Nacional do Iguaçu, uma das mais importantes unidades de conservação da Mata Atlântica. A decisão é comandada por deputados ruralistas e sofre represália de várias ONGs de proteção ao meio ambiente.

O relatório final da lei foi aprovado na última quarta-feira (3), a fim de abrir a Estrada Caminhos do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu. Com 18 quilômetros de extensão, a estrada corta a área mais protegida do Parque, na qual é proibida a visitação de turistas. O projeto de lei nº 7123, de 2010, é de autoria do deputado ruralista Assis do Couto (PT-PR), que incluiu o conceito estrada-parque na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, a aprovação do projeto de lei representa uma forte ameaça à natureza. “Este é mais um atentado contra o meio ambiente e a sociedade. É um patrimônio da humanidade que está sob forte ameaça”, lamenta o ambientalista, que acompanhou a votação. “Restam apenas 7,9% da Mata Atlântica original e o pouco que sobrou pode ser devastado com iniciativas como essa de deputados ruralistas e a omissão do governo”, completou Mantovani.

A Estrada do Colono foi aberta no início do século XX para ligar as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema, no sudoeste do Paraná, cortando o Parque Nacional, criado em 1939. “O caminho não pode ser classificada como uma estrada-parque, porque sua reabertura, visando atender interesses puramente privados, trará um impacto irreparável à única área conservada que sobrou no extremo oeste do Paraná e que beneficia toda a comunidade, com a prestação de serviços ambientais”, afirma Miriam Prochnow, coordenadora de Políticas Públicas da Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida). Falar das drogas etc.

Além dos danos causados ao meio ambiente, a reabertura da Estrada do Colono vai facilitar a entrada e a ação de contrabandistas, traficantes de drogas e armas. Fora isso, a aprovação do Projeto de Lei vai facilitar a ação dos criminosos que se apoderam dos recursos das florestas, dificultando o trabalho dos órgãos de controle e fiscalização ambiental na região.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.