O macaco muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), também conhecido como mono-carvoeiro, e seu primo do norte (Brachyteles hypoxanthus) são os maiores primatas das Américas e estão criticamente ameaçados de extinção. Um projeto do Instituto Lactec, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza pretende mudar essa situação.

Em encontro feito com o governo do Paraná, o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), Ricardo Soavinski, afirmou que é possível, dentre outras ações, viabilizar a criação de uma ou mais unidades de conservação na região do estudo, que contempla cerca de cinco mil hectares e abriga uma população de apenas 32 indivíduos de Muriquis.

Para Soavinski, existem alternativas que permitem a proteção da espécie sem impedir que as áreas sejam utilizadas economicamente como, por exemplo, a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural e Refúgio de Vida Silvestre. “Ainda precisa de avaliação mais aprofundada, mas essas são categorias que preservam as áreas de matas nativas já usadas por esses animais sem a dependência de desapropriações de todas as áreas, evitando impactos econômicos negativos”, disse. Essas categorias também permitem a utilização das áreas para a prática de turismo ordenado, pesquisa e atividades de educação ambiental.

Robson Hack/Divulgação
Robson Hack/Divulgação

Segundo o coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, Emerson Oliveira, durante a reunião foi criado um grupo de trabalho que irá elaborar um plano estratégico visando elaborar uma proposta que alie a conservação da espécie evitando prejuízos à comunidade local.

“A possibilidade da efetivação concreta de ações para proteção do Muriqui fortalece nosso trabalho de articulação que busca promover um diálogo entre governo e pesquisadores, buscando impactos positivos para a conservação de nossos ecossistemas naturais”, destaca Oliveira.

Benefícios para a comunidade

O mono-carvoeiro tem papel fundamental na regeneração e manutenção das florestas, pois são importantes dispersores de sementes de espécies como canela, figueira, ingá e diversos tipos de palmeiras. “Eles se alimentam das frutas dessas espécies e espalham as sementes, por meio de suas fezes como também através dos seus deslocamentos pelas árvores”, explica o pesquisador Robson Hack, responsável pelo estudo com a população do primata registrada em Castro (PR).

Robson Hack/Divulgação
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Ele comenta que, dessa forma, o mono contribui para que os serviços ambientais prestados pela floresta – como produção de água, alimento e fertilização do solo – sejam mantidos com qualidade. Além disso, o pesquisador destaca que atrair a atenção e investimentos para a região é um bom negócio. “Os proprietários do Vale do Ribeira podem se beneficiar com o pagamento por serviços ambientais (PSA) e com iniciativas de turismo e pesquisa que beneficiem toda a comunidade”, destaca.