Brasil não assina compromisso global para reverter perda da biodiversidade

Documento assinado por 76 países e nações da União Europeia traz 10 ações urgentes para a próxima década

brasil não assina compromisso ambiental
Foto: Pixabay

Por Suzana Camargo | Conexão Planeta

Na primeira semana de outubro, foi realizado virtualmente o United Nations Summit on Biodiversity, Encontro das Nações Unidas pela Biodiversidade, líderes de 76 países, além das nações da União Europeia, assinaram um compromisso voluntário para reverter a perda de biodiversidade no mundo até 2030.

Entretanto, o governo do Brasil não assinou o documento.

Nosso país, que já foi um líder na questão ambiental no passado, se juntou aos Estados Unidos, China, Rússia, Índia e Austrália, que também se recusaram a apoiar a iniciativa.

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Leaders’ Pledge for Nature – Compromisso de Líderes pela Natureza – , contou com a adesão de países como Nova Zelândia, França, Alemanha e Reino Unido. Da América Latina, vizinhos do Brasil, como Peru, Bolívia e Colômbia, que compartilham áreas da Floresta Amazônica, também se comprometeram a alavancar esforços para conter a destruição do meio ambiente.

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“Vivemos um estado de emergência planetária: as crises interdependentes de perda de biodiversidade e degradação de ecossistemas e mudança climática – impulsionadas em grande parte pela produção e consumo insustentáveis – requerem ação global urgente e imediata. A ciência mostra claramente que a perda de biodiversidade, a degradação da terra e dos oceanos, a poluição, o esgotamento de recursos e a crise climática estão se acelerando a uma taxa sem precedentes. Esta aceleração está causando danos irreversíveis aos nossos sistemas de suporte de vida e agravando a pobreza e desigualdades, bem como a fome e a desnutrição. A menos que esse cenário seja interrompido e revertido com efeito imediato, ele causará danos significativos à resiliência e estabilidade econômica, social e política global”, escreveram os signatários do compromisso.

O compromisso lista dez ações urgentes para os próximos dez anos. Entre os pontos delineados estão o investimento em uma recuperação econômica “verde” e sustentável pós-pandemia, o combate sem tréguas aos crimes ambientais e eliminar o descarte de plástico nos oceanos.

Talvez um dos itens mais importantes seja justamente o último, em que o grupo ressalta que “… nossa abordagem para a concepção e implementação de políticas será baseada na ciência, reconhecerá o papel crucial do conhecimento tradicional e indígena, bem como da ciência e pesquisas na luta contra a degradação de ecossistemas, perda de biodiversidade e mudanças climáticas; e vai envolver toda a sociedade, incluindo setores comerciais e financeiros, povos indígenas e locais, comunidades, defensores dos direitos humanos ambientais, governos e autoridades locais, grupos religiosos, mulheres, jovens, grupos da sociedade civil, academia e outras partes interessadas”.

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Infelizmente, no momento atual brasileiro, isso parece ser uma realidade muito distante. Cada vez mais a sociedade civil, cientistas e povos indígenas são ignorados e sua presença é rechaçada em decisões governamentais.

Em uma avaliação feita por autores do quinto relatório do panorama global da biodiversidade – Global Biodiversity Outlook 5 (GBO-5) –, lançado em meados de setembro, o Brasil aparece entre os 193 países, que não cumpriram as metas para deter a perda da biodiversidade até 2020.