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Ursos polares normalmente caçam focas no mar. Porém, quando chega a primavera e o gelo começa a derreter, eles fazem uma parada para o descanso. Por causa das mudanças climáticas o derretimento do gelo marinho acontece cada vez mais cedo, obrigando os ursos polares a voltarem mais cedo de suas caçadas.

Um estudo inicial, feito pelo biólogo Robert Rockwell e sua colega Linda Gormezano, documentara que os ursos polares na área da Baía de Hudson, no Canadá, estavam retornando à terra cerca de duas semanas mais cedo do que eles faziam no passado, perto do final de junho em vez de meados de julho. Esta chegada antecipada traz os ursos de volta à terra na mesma época em que os gansos da neve estão encubando seus ovos, na mesma Baía.

Estes ovos são mais frequentemente comidos por aves marinhas e raposas do Ártico. Mas os ursos polares, famosos por seu apetite voraz, optaram por mais essa fonte de alimento e podem devorar mais de 800 ovos, em quatro dias, conforme explicado por Rockwell.

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Esses números têm causado preocupações em alguns cientistas. Isso acontece porque os ursos polares com fome podem reduzir severamente ou até acabar com o aninhamento de populações de ganso da neve.

Porém, a pesquisa divulgada na revista Oikos online, feita por Rockwell e sua equipe mostra que a população, atualmente abundante de ganso da neve não corre perigo com os ursos. Na verdade, os ovos podem fornecer uma fonte de alimento extra e valiosa para os ursos polares que são forçados a parar mais cedo a caça às focas.

Os gansos da neve são aves migratórias que passam seus invernos nas partes mais quentes da América do Norte. Eles normalmente chegam ao Ártico para procriação, perto do fim de maio, e se mantém lá até o começo de agosto.

Por não serem aves de grande porte, comer um ovo de ganso da neve é para os ursos "como comer um pedaço de manteiga", diz o especialista. Rockwell estima que se um urso polar comer 88 ovos de ganso da neve terá consumido a quantidade de calorias equivalentes a uma foca.

Os gansos não são considerados ameaçados, segundo a União Internacional para a conservação da natureza, porque eles têm uma ampla gama e uma grande população mundial, que parece estar aumentando.

Usando os registros históricos, Rockwell e seus colegas simularam o sincronismo de quatro eventos que ocorrem durante a primavera do ártico: desmembramento do gelo do mar, migração dos ursos polares em terra, a migração para o Norte de gansos da neve e a postura de ovos.

Os resultados mostraram que, embora o tempo das duas espécies em terra serão cada vez mais sobrepostas com a continuação do aquecimento global, haverá sempre "incompatibilidades" (anos que os ursos vão perder o aninhamento dos gansos). “É natural a variação do clima", disse Rockwell. Contudo, é necessário apenas um ano “ocasional” que os ursos não vão encontrar com as aves migratórias em terra, para que a população dos gansos, reinicie.

É provável que os ursos polares cheguem em terra ainda mais cedo nos próximos anos, então os ovos de ganso poderiam tornar-se uma fonte de alimento cada vez mais vital para eles. "Ursos são ursos", finaliza Rockwell.

Com informações da National Geographic

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