Representantes do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) enviaram, na última semana, uma petição urgente a 26 membros do Congresso Americano sobre os impactos ambientais e sociais das obras do Rodoanel Norte na Cantareira, região norte da cidade de São Paulo.

Apoiados por pesquisadores da área de Direito da Universidade de Berkeley, nos EUA (Berkeley, School of Law/SEEJ- Students on Environment and Economic Justice), os manifestantes pedem a atenção dos congressistas sobre as milhares de pessoas que serão desalojadas pela obra, parcialmente financiada pelo Tesouro Americano, por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A petição entregue a deputados e senadores lembra que mais de dez mil pessoas residentes em bairros pobres terão que abandonar suas casas e que muitos não serão indenizados porque não têm títulos de propriedade dos imóveis. "A maioria dos residentes não foi consultada sobre as condições de reassentamento e mesmo o traçado exato da rodovia nunca foi divulgado", explica o pesquisador Mauro Vitor, conselheiro do PROAM.

O texto destaca também os prejuízos ambientais que o Rodoanel provocará na região da Cantareira, considerada Reserva da Biosfera pela Unesco por sua riqueza em espécies vegetais e animais e pelo papel que a serra cumpre no controle da poluição e do clima de São Paulo. O impacto da obra no Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas, também foi lembrado.

A petição enviada ao Congresso lembra que como a construção ainda não começou, ainda há tempo para que os deputados e senadores avaliem se o dinheiro dos EUA não será usado para gerar degradação ambiental e urbana. "Os recursos não devem ser desembolsados pelo BID até que as dúvidas relacionadas ao reassentamento das famílias, aos impactos ambientais e à falta de transparência do projeto sejam esclarecidas", afirma Carlos Bocuhy, presidente do PROAM.

O documento completo pode ser consultado aqui.
 

Avatar
Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.